A FANTÁSTICA HISTÓRIA DOS TRILHOS PARA TREM

 

                                                Primitivas carruagens utilizadas em Minas.

A palavra Trem que vem do latim “Trahere” e do inglês “Train”, apesar de ser uma palavra pequena, tem uma interpretação híbrida, pois, é uma combinação de força motriz tracionando vagões sobre trilhos. (Vide Postagem sobre o Trem)

O ser humano desde a era patriarcal já era um palmilhador de estradas. Em sua gênese se locomovia, só que com seus utensílios sobre a cabeça aproveitando posteriormente a força animal, barcos e desafiando limites de percursos saindo do quadrado, inventando a roda e pondo uma tração para a mesma.

Na aurora das idéias de trilhos, estava na moda o termo “Carril”. Depois ficou mesmo como “Trilho”, que sendo irmão da “Trilha”, passou a designação de rastros repetidos pelo homem no mesmo chão. Contada em velhos alfarrábios, os mesmos advieram quando, nos confins da antigüidade, os carros puxados por animais se atolavam e para prosseguirem em viagem, colocavam-se com precárias condições, varas de madeira em numero de duas sob as rodas, tal como ainda hoje se faz em circunstâncias similares, afinal, já existiam nas antigas e estreitas estradas da Grécia trilhos côncavos para apoiar veículos. Tratava-se de pistas simples e de mão dupla, acontecendo vez por outra, confronto de veículos que circulavam em sentido oposto, cabendo ao condutor mais novo abrir passagem ao mais velho. Os romanos chamavam de “Estradas Trilhadas” aos sulcos de 8 a 10 cm de profundidade e aproximadamente 20 cm de largura. Com uma distante entre si de 1.40 a 1.45 m esses trilhos sulcados serviam de guia para as rodas de carros, proporcionando mais segurança.

Na Inglaterra no Condado de Durham, surgiram em 1555 os primeiros trilhos, que eram vigas paralelas de madeira, sendo utilizados nas minas de carvão que se localizavam entre a Escócia e Gales do Sul.  Trilhos de Carvalho foram fixados em dormentes e, serviam para o deslocamento de vagonetes tracionado à força humana e animal. Corria apenas um vagão de inicio, sendo posteriormente acrescentados outros, havendo interligação para aumentar volume.

Devido à fácil deterioração dos trilhos de madeira, no século XVII surgiu o revestimento de chapa de ferro, quando se iniciou o uso combinado de rodas com trilhos. O ferro fundido já com bordas salientes foi empregado a partir de 1739. Após as técnicas do engenheiro Frances Marc, todos os trilhos passaram a ser de aço.

Os primeiros trilhos que o Ceará recebeu para a Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité (Hoje Transnordestina Logística S/A) vieram de Liverpool, Inglaterra. O vapor “lisbonense” atracou no Poço das Dragas (antigo porto de Fortaleza), aos 28 de março de 1872. Eram trilhos portáteis. A Segunda remessa, já de trilhos permanentes, foi recebida no ano seguinte, cujo assentamento em Fortaleza verificou-se no 1 de julho de 1873.

Era o início de um grande progresso. Os trilhos foram colocados na hoje Avenida Tristão Gonçalves que na época era denominada: Rua Trilho de Ferro.

Esse registro de 1902 nos mostra os primeiros trilhos.

 Foram assentados em 1873.

Praça da Lagoinha pela Rua Trilho de Ferro.

AS LOCOMOTIVAS WHITCOMB INICIARAM A ERA DIESEL,

 Vindas dos estados Unidos da América e, como produto de primeiro mundo para a época, essas locomotivas modernizaram o parque de tração de nossa Rede de Viação Cearense e, da Viação Férrea Leste Brasileira (Bahia). Em março de 1948 por concorrência pública o Ministério da Viação (Atual Ministério dos transportes) adquiriu inicialmente trinta unidades, quinze para cada ferrovia.

Fabricadas por “The Whitcomb Locomotive Company” de propriedade de George D. Whitcomb, essa companhia localizava-se na cidade de Rochelle, Illionis – USA.

Saindo da Montadora em Plataformas

Bem recebidas não foram pelos apaixonados por trens, pois, estas vieram para aposentarem as máquinas à vapor que tantas emoções trouxeram a nossa gente. A cantiga da Maria Fumaça executaria as últimas músicas arquivando em janeiro de 1963 seu cancioneiro, que os anos carregariam. Não sabemos o porquê da não preservação de tantas relíquias, tendo escapado apenas uma do tipo 0-4-0 de marca Baldwin com o nº. 30.

A locomotiva Whitcomb reconstituiu em pouco tempo a autoestima dos amantes da ferrovia, tendo como resultado a diminuição dos percursos e aumento na demanda dos transportes.

A solenidade de recebimento das primeiras unidades ocorreu aos 3 de outubro de 1949, que contou com as seguintes presenças: Presidente da República General Eurico Gaspar Dutra, Governador Faustino Albuquerque, do Diretor da RVC Dr. Hugo Rocha além de outras autoridades e a imprensa.

Desembarcaram quatro máquinas que receberam a seguinte numeração: 600, 601, 602, 603. Em seguida chegariam mais onze que de acordo com a ordem de colocação nos trilhos foram etiquetadas da 604 a 614. A partir de 1951 as outras quinze encomendadas foram chegando.

Desembarcando no porto do Mucuripe

 3 de outubro de 1949

A locomotiva 600 funcionou pela primeira vez aos 27 de janeiro de 1950. A última da primeira remessa (614) veio a funcionar 67 dias após. Relatórios da RVC e jornais da época afirmaram que essa demora no funcionamento deveu-se a falta de combustível e ajuste no sistema de climatização.

A primeira viagem da Whitcomb para o interior do Ceará ocorreu no dia 1 de fevereiro de 1950. Um trem com 11 vagões, 260 toneladas fez uma viagem experimental chegando na Cidade de Senador Pompeu na hora prevista, e nem mesmo a temida ladeira do Itapaí fora obstáculo para o percurso.

Aos 19 de março do mesmo 1950, Sobral recebeu o primeiro trem de passageiro pelo ramal de Itapipoca. Referido trem foi tracionado pela unidade 602 com 11 carros, sendo 1 destinado as autoridades, dentre as quais o Dr. Hugo Rocha.

Essas lindas locomotivas passariam a ser concorridas pelas da marca ALCO-RSD-1957, 700 HP, GE-U-5B 1961 500 HP e as GE-U10B-1971 1000 HP. Serenamente foram as Whitcomb desaparecendo tornando-se obsoletas, sendo entregues às intempéries.  A unidade 623 passou a puxar o trem dos operários desaparecendo em 1977. A 617 foi a última a ser destruída. Manobrou no pátio das oficinas do urubu até agosto de 1983. Até mesmo a 612 com a qual aconteceu o trágico acidente em Piquet Carneiro em dezembro de 1951, não é lembrada. Se for por causa do acidente é bom mesmo esquecer.

No matagal próximo a antiga fundição das Oficinas da hoje Transnordestina, existiu um cemitério de locomotivas onde repousou a 614, talvez reclamando à posteriori  de sua importância em ter enfrentado com êxito às locomotivas à vapor. A reclamação foi aceita e apesar de já ter sido colocada na  desativada Estação Professor João Felipe levaram-na de volta para as oficinas e entregue ao deus dará!!!!

Ficha Técnica da Locomotiva Whitcomb 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Locomotivas Whitcomb saindo da fábrica para o Porto com destino ao Brasil

 

 

 

 

 

 

 

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Locomotiva nº. 3 defronte ao depósito diesel na Central em janeiro de 1950.

 

 

 

 

Whitcomb nº. 617 manobrando nas Oficinas Demósthenes Rockert (Urubu).

 

 

 

 

 

Apoteótica Exibição das Locomotivas Whitcomb.

MASSAPÊ TERRA DE UM POVO BRAVO

Primitivamente, Massapê (Do tupi Solo Argiloso) chamou-se “Serra Verde” e, em 1700 era habitada pelos índios Tapuias cujo chefe da taba, o valente Cocochiní vivia em virgília, para repelir alguns ataques dos Areriús que dominavam às margens do Rio Acaraú.

Esses selvagens embora de uma mesma cultura e sendo inimigos e rivais, respeitavam seus limites. Assim viviam em guerra fria até que, em 1713 os colonos brancos pertencentes a uma segunda expedição Governamental os atacaram, tomando-lhes as terras, as roças e como se não bastassem, até as donzelas indígenas passaram a serem suas mulheres, numa verdadeira guerra “cultura x emoção”. Dessa mistura originaram-se na zona Norte os inúmeros caboclos de chapéu de palha e alpercatas, cujos remanescentes com os mesmos antigos costumes ainda habitam na Serra da Meruoca onde em 1930 nasceria minha mãe Nely, da família “Porfírio”.

Por volta de 1870 Massapê era uma simples fazendo do Município de Santana, Zona ribeira do Acaraú-mirim e pertencia a família do Capitão José Rodrigues de Lima. Essa propriedade rural não entrou em decadência, pois prosperou a olhos vistos, tornando-a sucessivamente distrito, Vila e finalmente Cidade.

Foram os dois anos consecutivos de secas (!877-78) que motivaram o Governo Imperial a construir uma estrada de ferro que, saindo de Camocim, iria para Sobral passando por Massapê.

Construída a estação ferroviária, as famílias vindas da cidade de Santana, das Vilas de Palmas (hoje Coreaú), de Meruoca, dos Remédios, São José, Oiticará, Aurora, Canafístula, passagem, Raiz, Contendas, Boiadas, Aiuá, Mumbaba, Cacimbinhas e outras foram atraídas para morarem em Massapê.

Com altitude de 76,010 metros, aos 31 de dezembro de 1881, foi inaugurada a estação de Massapê, cuja cerimônia fora presidida pelo Engº da Estrada de Ferro de Sobral, João da Cunha Beltrão quando, triunfalmente a locomotiva nº 3 parou na esplanada. Posteriormente essas máquinas seriam apelidadas de “monstros de ferro com olhos de fogo”.

Por esse novo caminho de ferro que urbanizou os sertões e criou-se Vilas, passaram a circular os trens da Estrada de Sobral, e aqui faço registro das três primeiras locomotivas à vapor,  todas  adquiridas na The Baldwin Locomotiva Work,  Filadélfia –USA. As mesmas tiveram as seguintes identificações: nº 1 “Sinimbú”; nº 2 “Viriato de Medeiros” e a nº 3 “Rocha Dias” (veio na inauguração).

A Estrada de Ferro de Sobral beneiciou Massapê, de onde exportou o seu algodão arbóreo, o herbáceo, milho e feijão. Na pecuária o gado bovino e o suíno.

Massapê foi elevado à Vila pela lei nº 398 de 25 de setembro de 1897 com o nome de Serra Verde, sendo instalada aos 5 de fevereiro de 1898. A elevação à categoria de Município, se deu por conta da lei nº 1.408 de 27 de agosto de 1917.

Como vários Municípios cearenses, a Vila Serra Verde, o atual Massapê deve sua consolidação à Estrada de Ferro de Sobral. O povo de Massapê é bravo, pois sofreu com a extinção do ramal ferroviário de Camocim em 1 de setembro de 1977. Ora se todo o progresso dessa cidade veio com o trem, é preciso muita garra para sobreviver sem ele.

Para o enobrecimento da sua história, a estação ainda está de pé, para meditação dos pesquisadores e orgulho dessa gente.

 

 

 

 

 

O RÁDIO AM NO INTERIOR CEARENSE É HISTÓRIA

 

CIDADE EMISSORA FREQUENCIA POTÊNCIA FUNDAÇÃO
         
Acaraú  Difusora Vale do Acaraú 1.100 kHz 1 kW 08/07/1990
Acopiara  Vale Quincoê 550 kHz 1 kW 21/08/1987
Aracatí Sinal Comunicação 730 kHz 1 kW 02/08/1986
Aracatí Moriá 1.320 kHz 1 kW **/10/1994
Barbalha Cetama 930 kHz 1 kW 22/03/1992
Barro Boa Esperança 1.210 kHz 1 kW 25/08/1986
Baturité Maçiço 1.500 kHz 1 kW 31/07/1980
Boa Viagem Asa Branca 710 kHz 1 kW 17/09/1983
Boa Viagem Liberdade 1.310 kHz 1 kW 25/09/1988
Brejo Santo Sul Cearense 820 kHz 1 kW 01/05/1988
Camocim União 820 kHz 1 kW 10/10/1982
Campo Sales Cidade 630 kHz 1 kW 23/08/1985
Campo Sales Três Fronteiras 1.530 kHz 1 kW 01/03/1993
Canindé Jornal 540 kHz 1 kW 22/12/1979
Canindé São Francisco 1.240 kHz 10 kW 17/09/1988
Caridade Vanguarda 1.370 kHz 1 kW 01/10/1998
Cascavel Litoral 1.110 kHz 10 kW 25/07/1978
Caucaia Metropolitana 930 kHz 10 kW 19/03/1988
Cedro Montevidéu 1.160 kHz 1 kW 24/06/1990
Crateús Príncipe Imperial 1.210 kHz 1 kW ***
Crateús Super Vale 590 kHz 5 kW 13/09/1982
Crato Amplificadora Cratense Auto-falante Philips 100 Watts

30 unidades

19/11/1937

(Paralisada)

Crato Araripe 1.440 kHz 10 kW 28/08/1951
Crato Educadora 1.020 kHz 5 kW 15/02/1959
Forquilha Pioneira 830 kHz 1 kW 17/02/1991
Granja Vale 1.160 kHz 1 kW 19/09/1989
Guaraciaba do Norte Guaraciaba 1.190 kHz 1 kW ***
Iguatú Liberdade 870 kHz 1 kW 16/06/1962
Iguatú Jornal 790 kHz 1 kW 29-01-1983
Ipú Iracema 1360 1 kW 26/08/1989
Ipú Regional 1.520 kHz 1 kW 19/01/1992
Ipueiras Macambira 1.020 kHz 1 kW 09/03/1991
Itapajé Guanancés 1.470 kHz 1 kW 20/07/1991
Itapipoca Uirapuru 570 kHz 1 kW 09/05/1980
Itarema Liberdade 1.250 kHz 1 kW 06/01/1992
Juazeiro do Norte Centro Regional de Publicidade Amplificadora 100 Watts 1940

(Paralisado)

Juazeiro do Norte Iracema 850 kHz 1 kW 15/11/1951
Juazeiro do Norte Progresso de Juazeiro 1310 kHz 1 kW 01/05/1967
Juazeiro do Norte Verde Vale 570 kHz 5 kW 24/03/1980
Lavras da Mangabeira Vale do Salgado 770 kHz 10 kW 30/07/1979
Limoeiro do Norte Educadora Jaguaribana 560 kHz 1 kW 18/03/1962
Limoeiro do Norte Vale do Jaguaribe 1.260 kHz 10 kW 06/12/1955
Maracanaú Pitaguary 1.340 kHz 2,5 kW 13/06/1990
Mombaça Sertões 1.540 kHz 1 kW 17/08/1990
Morada Nova Liberal 1.350 kHz 1 kW 24/06/1990
Morada Nova Uirapuru 1.460 kHz 1 kW 06/07/1980
Morrinhos Princesa do Norte 1.480 kHz 1 kW 27/09/1992
Nova Russas Seara 780 kHz 10 kW 01/09/2004
Pacajus Boa Nova 1.410 kHz 10 kW 20/09/1985
Paracuru Imaculada 1.150 kHz 5 kW **/02/2010
Pedra Branca Trapiá 1.510 kHz 1 kW 18/10/2003
Pentecoste Difusora Vale do Curu 1.560 kHz 1 kW 23/03/1982
Quixadá Cultura 1.080 kHz 2,5 kW 27/11/1991
Quixadá Monólitos 970 kHz 1 kW 13/02/1980
Quixeramobim Amplificadora Auto-falante 100 Watts **/**/1946
Quixeramobim Difusora Cristal 1450 kHz 1 kW 05/02/1968
Quixeramobim Campo Maior 840 kHz 1 kW 19/05/1988
Russas Progresso 1.140 kHz 10 kW 27/09/1975
Santa Quitéria Itataia 890 kHz 1 kW 10/01/1987
São Benedito Novaplan 1.510 kHz 1 kW 08/10/1978
São Benedito Tabajara 870 kHz 1 kW 01/05/1990
Senador Pompeu Sertão Central 1.570 kHz 1 kW 03/12/1981
Sobral Regional 1.320 kHz 1 kW 22/11/1952
Sobral Caiçara 910 kHz 4 kW 17/01/1987
Sobral Educadora 950 kHz 5 kW 21/06/1959
Sobral Tupinambá 1.120 kHz 3,5 kW 17/06/1962
Solonópolis Cachoeira 1.520 kHz 1 kW 25/08/1993
Tauá Cultura dos Inhamuns 960 kHz 1 kW 28/11/1980
Tauá Difusora dos Inhamuns 1.100 kHz 1 kW 25/05/1985
Tianguá Santana 1.540 kHz 1 kW 02/02/1980
Várzea Alegre Cultura 670 kHz 1 kW 05/06/1978

 

 

 

CIDADE AM 860 NOVA ROUPAGEM DA IRACEMA DE MARANGUAPE

 

                 

   Neste Bloco os Estúdios da Emissora

Aspecto Original

 

 

A Rádio Cidade AM, embora pertencente ao Grupo Cidade de Comunicação, era ligada a TV Uirapuru de propriedade de Patriolino Ribeiro, porém, a emissora radiofônica não poderia receber esse nome, haja vista existir outra com a mesma nomenclatura. Depois a TV Uirapuru tomou o nome de TV Cidade.

Inicialmente o equipamento da Rádio Cidade, na implantação aos 10 de junho de 1982 fora o mesmo utilizado pela rádio Iracema de Maranguape (1959), cidade da região metropolitana da grande Fortaleza. Sabemos que o equipamento, evidentemente fora substituído pois, o estúdio era na cidade de Maranguape e, hoje é um anexo da TV do mesmo nome na Avenida Desembargador Moreira nº 2565, no bairro Dionísio Torres.

A estação transmissora sim, ainda está nas mesmas coordenadas, no distrito de Taquara no Vilarejo chamado Mucunã, quase no sopé da Serra de Maranguape.

Era uma emissora muito eclética, da Rede  Iracemista de Rádio, mas, não resistiu à concorrência das emissoras da capital, no que diz respeito a anunciantes, devido às transformações e o desenvolvimento da Capital.

Maranguape com o fechamento de empreendimentos já havia desativado seu ramal ferroviário em 1962. O avanço do transporte coletivo, alargamento da CE e pavimentação asfáltica, deixou a cidade muito próxima da outra, o que levou moradores a procurar meios de sobrevivência em Fortaleza. Então seu proprietário, empresário José Pessoa de Araújo, não achou mais interessante manter esse empreendimento. Vendeu para o Grupo de Patriolino.

 

 

Carlos Alberto, “A Cidade Recorda”

 

 

Por o microfone da Rádio Cidade já passaram grandes nomes do rádio cearense, como Carlos Alberto que despertava a Cidade com Saudade; Narcélio Sobreira Limaverde que comandava as manhãs nos dias úteis; oriundo da Rádio Uirapuru, Juarez Silveira com o seu inesquecível Pássaro da Madrugada, horário este outrora ocupado, por o popular Colombo Sá e o seu tradicional “Clube dos Tetéus, não Dorme Ninguém”. Renato Abreu, Ossian Lima, Newton Pedrosa, Haroldo Pedreira eram as feras do mundo político e atualidades, quando democraticamente não colocava o ouvinte no ar, mas, jogava a nossa opinião para os comentaristas.

 

Juarez Silveira

” O Pássaro da Madrugada”

 

 

Cid Carvalho grande ícone, ainda comanda o “Antenas e Rotativas” que já foi auxiliado por Vicente Alencar, já que Lúcio Sátiro nos deixou. Edson Silva, que apresentava “Nos Bastidores Policiais” havia ido morar em Brasília com mandato eletivo; João de Oliveira fez o seu Informativo Cidade; a tarde a irreverência de Jurandir Mitoso e era muito mais, tudo sob a coordenação de Assis Monteiro. (Oliveira e Mitoso já não estão mais conosco.

 

Tony Mazoly é um radialista e  sonoplasta modelo,

 

A Cidade AM é uma das poucas emissoras, com tanta flexibilidade para atender aos anseios do ouvinte, pois é muito dinâmica nas festividades que o ano traça. Tem o prefixo de ZYH 592 e opera na frequência de 860 kHz.

Recordando: Rádio Iracema de Maranguape

 

 

 

Fotos : Álbum da Família Marques.

 

OPOVO-CBN 1010 A RÁDIO QUE TOCA NOTÍCIAS

 Denominada a “Companheira”, a Rádio Jornal O POVO fora ao ar oficialmente aos 25 de março, cinqüenta dias após, as inserções experimentais, na sua estação transmissora que a qualificava em torres gêmeas. Desde 6 de fevereiro de 1982, um potente transmissor de 50 kWh às margens da bucólica lagoa de Messejana, rasgava os céus do Nordeste com um som, pasmem, estereofônico com Amplitude Modulada.

A família Dummar que já é em território cearense uma referencia no setor de rádio comunicação, nos deu mais um empreendimento e fora sob o prefixo ZYH 625, na freqüência de 1010 kHz. Com sua programação voltada para serviços de comunidade, além da esperada fonte de informação e entretenimento na voz de locutores do melhor quilate, a AM do Povo logrou seu espaço, mesmo na época já existindo emissora em AM, com quase meio século no ar.

Às 5 da matina, tínhamos o “Secretário do Povo” com Paulo Oliveira; depois havia a animação e interação do Luis Barbosa, que tinha como atração os “Debates do Povo”, muito expressivo com mediação do professor Carlos Neves D’alge e as participações de Adísia Sá, Themístocles de Castro e Silva, Dorian Sampaio, Fávila Ribeiro, Pedro Henrique Antero, dentre tantos jornalistas da casa .Depois viria o grande Nazareno Albuquerque para ser mediador, quando participou Maria Luiza Fontenele.

Jornalista  Nazareno Albuquerque

Com maestria conduziu por anos os “Debates do Povo”.

Paulo Oliveira voltava depois do meio dia para apresentar de forma cômica “Nas Garras da Patrulha”. A tarde era dominada na voz veludo de Roberto Losan, e o Nonato Albuquerque ia a noite a dentro abrilhantando a programação. O jornalista Themístocles de Castro e Silva abria um parêntese na programação noturna e apresentava o seu “Quando a Saudade Apertar”, cuja característica era uma música do mesmo nome interpretada por Orlando Silva, o Cantor das Multidões. Tratava-se de um programa com músicas do passado, tendo como diferencial o tipo de mídia, afinal todas as músicas eram de gravações originais com discos de cera, o que exigia 78 RPM.

Aos domingos tínhamos Halmalo Silva com um musical de elite, informando ao público que se deleitava com o relax, e paralelamente o público era informado através de resenhas principalmente a esportiva.

Narcélio Sobreira Lima Verde.

Ao Pé do Microfone desde 1954.

Com já foi relatado pelo microfone desta emissora, passaram diversos nomes expressivos do rádio cearense, e dentre eles destaco Narcélio Limaverde com o prestador de serviços “Tarde do Povo”, onde diariamente o tema e as entrevistas eram diferenciados; isto porque a emissora passou ao compasso de afiliada da Central Brasileira de Notícias – CBN.

Themístocles de Castro e Silva, Carlos Neves Dalge e Adísia Sá

Brilharam nos Debates do Povo em sua primeira página

 

O Estúdio da Companheira localizava-se na Avenida Aguanambi n° 282 em prédio anexo ao Jornal do mesmo nome. Em seguida funcionou na Avenida Desembargador Moreira, passando uma época com redação e as inserções direto de um prédio histórico localizado na Avenida Almirante Tamandaré nº 19, no entorno do Centro Cultural Dragão do Mar. Lá ficou temporariamente junto com as demais rádios do grupo, ou seja a Calypso FM 106,7 e a Mix Fortaleza 95,5 MHz. Depois voltou a se anexar ao Jornal que lhe dá o nome.

A Rádio OPOVO/CBN 1010 é uma emissora de rádio, sediada em Fortaleza (CE), pertence ao Grupo de Comunicação O POVO. Por ser de formato “All News”, sua transmissão é de conteúdo jornalístico possuindo formato inovador.

 

 

 

 

 

CHICO DA SILVA PINTOR PRIMITIVISTA

Francisco Domingos da Silva (1910 – 1985)

Descendente de uma cearense e um índio da Amazônia peruana. Viveu até os dez anos de idade na antiga comunidade de Alto Tejo. Em 1934, a família de Chico da Silva embarcou para o Ceará, indo morar em Fortaleza. Semi-analfabeto, teve diversas profissões não relacionadas à arte (consertava sapatos e guarda-chuvas, fazia fogareiros de lata para vender, entre outras), mas sempre desenhava pelos muros da cidade com carvão e giz. Era autodidata.

Chico da Silva foi descoberto pelo pintor suíço Jean-Pierre Chabloz, que notou um destes graffitis, em meados da década de 1950 na praia do Pirambu, em Fortaleza, onde costumava desenhar em paredes e muros do bairro. Antes de ser conhecido, era chamado pelos moradores de “indiozinho débil mental“.

Chabloz, que o tomou como discípulo, ensinou-lhe as técnicas do guache e do óleo. Logo passou a expor seus trabalhos na cidade, no Rio de Janeiro e na Suíça. Em 1966 recebeu menção honrosa na XXXIII Bienal de Veneza. Três anos depois, Chabloz cortou relação com Chico, afirmando mais tarde em uma entrevista que estava insatisfeito com a qualidade do artista.

Pintura do Chico da Silva

Seu estilo é incomparável. Seus desenhos surgiam de forma espontânea, como involuntários impulsos de sua imaginação. Chico não teve nenhuma influência de outros estilos nem muito menos de escolas de pintura. Seus traços, inicialmente feitos a carvão, impressionavam pela riqueza de detalhes e abstração. Eram dragões, peixes voadores, sereias, figuras ameaçadoras e de grande densidade e formas.

Pintor de lendas, folclore nacional, cotidiano e seres fantásticos.

Na Europa ele é conhecido como o índio de técnica apuradíssima e traços autodidatas de origem inerente à visão tropical da vida na floresta.

Para alguns especialistas seus trabalhos são individuais, mas comunitários, pois, muitos dos seus quadros foram apenas assinados por ele, o que na verdade estes teriam sido pintados por seus filhos e parentes para aumentar a produção (já que a procura era cada vez maior). Uma pesquisa estimou que 90%, dos quadros posteriores a 1972, eram falsos. Tal acontecimento cercou o artista de aproveitadores que vendiam essas falsificações em qualquer lugar por pequenos preços.

Chico da Silva participou de várias exposições em países como França, Suíça, Itália e Rússia. Algumas de suas pinturas foram expostas em Manaus, a cidade mais próxima de sua terra natal aonde os seus trabalhos chegaram.

Aos 27 de dezembro de 1974, a Prefeitura de Fortaleza em reconhecimento ao trabalho do artista inaugura a CASA DE CHICO DA SILVA, no Bairro Pirambú defronte ao local em que funcionou o Kartódromo na Avenida Presidente Castelo Branco, onde se fez presente o Governador Cesar Cal’s e o Prefeito Vicente Fialho.

Faleceu em Fortaleza aos 6 de dezembro de 1985 com 75 anos de idade.

COMPILAÇÃO COM WIKIPÉDIA

ÁLVARO WEYNE PREFEITO URBANIZADOR

                                                                                  ÁLVARO WEYNE

 

Álvaro Nunes Weyne, nasceu em Fortaleza aos 11 de Novembro de 1881. Filho do Tenente-Coronel Alfredo da Costa Weyne e Antonia Nunes de Melo Weyne. Estudou no Ginásio Cearense e no Instituto de Humanidades.

Prefeito de Fortaleza por dois períodos: (1928-1930 e 1935-1936). A ele Fortaleza deve a urbanização de nossas Praças.

Weyne foi Secretário da Fazenda no Estado do Ceará no Biênio 1944-45.

O comerciante faleceu aos 4 de julho de 1963.

 

Nota: Saiu no Diário Oficial do Município nº. 3.277, o texto da lei nº. 3.013 de 17 de setembro de 1965, de autoria do Vereador René de Paiva Dreyfus, onde a partir de 23 de setembro de 1965, o Bairro da Floresta passou a denominar-se Álvaro Weyne.

A Rede Ferroviária Federal S/A após este decreto, homenageou este ilustre atendendo o pedido do Governador Virgílio Távora. A Estação Mestre Rocha passou para o nome do Bairro.

 

Estação de Álvaro Weyne demolida em 1985.

CARLITO BENEVIDES POLÍTICA E FILANTROPIA

CARLOS EDUARDO BENEVIDES

Filho de Artur Feijó Benevides e Maria do Carmo Eduardo Benevides. Nasceu a 13.12.1904, no distrito de Água Verde, município de Pacatuba/CE (hoje Guaiúba). Casado com Antonia Cabral Benevides (Nenzinha) e pai de Carlos Mauro Cabral Benevides, Myrtes Benevides Amaro e Mauricio Cabral Benevides. Faleceu a 20.03.1997, em Fortaleza. Era Farmacêutico.

Em 1920 transferiu residência para a cidade de Pacatuba, onde foi gerente e depois proprietário da Farmácia Silva.

Em 1926, veio residir em Fortaleza, e comprou de Artur Memória, com o apoio e aval de seu tio e grande amigo, Dr. José Eduardo Espíndola, a Farmácia Popular, na Rua 24 de Maio.

Em 1927, deslocou-se à cidade de Salvador, na Bahia, para realizar o indispensável curso, exigido pela legislação de então, denominado de Oficial de Farmácia, titulação que lhe permitiu aviar as prescrições dos médicos em exercício na nossa cidade, naquela época.

Em 1929, com o bom êxito da farmácia, ele a transferiu para um prédio maior, de dois andares, na Rua General Sampaio, esquina com General Clarindo de Queiroz, denominando-a, a partir de então, de Farmácia Belém, que posteriormente foi transferida para a Rua Pedro Borges, na Praça do Ferreira.

Em 1934, ao candidatar-se a Deputado Estadual, entregou a direção da farmácia ao seu irmão Fernando que se interessou pelo ramo, chegando a formar-se em Farmácia. Carlito, como era conhecido, elegeu- se pela Liga Eleitoral Católica e, em 1936, foi um dos votos decisivo na eleição de Francisco de Menezes Pimentel (amigo particular de seu tio Dr. José Augusto Espíndola que o apresentou), ao disputar com José Acioly, a Presidência do Estado. Isto he custou várias tentativas de assassinato, por envenenamento e, à bala, inclusive. Esteve na iminência de ser morto, sutilmente, quando seus adversários políticos tentaram envenená-lo durante um almoço oferecido por seus amigos e correligionários. Ele, porém, escapou sempre, e tudo enfrentou com altivez e dignidade, sem represálias.

Obteve expressiva votação nos municípios de Pacatuba, Cascavel e Pacajus (esta, antes denominada de Guarani). Juntamente com o seu colega Ubirajara Índio do Ceará, identificou-se com os postulados da Ação Integralista Brasileira, fundando núcleos de representação em seus municípios, assumindo posição de relevo na estrutura estadual do movimento.
Com o fechamento da Assembléia Legislativa, por força da implantação do Estado Novo, Carlito Benevides voltou às suas atividades empresariais, nas Farmácias Belém e Teodorico (esta, adquirida de Alberto Eloy, em 1950).  Foi, portanto, um dos pioneiros das atuais redes de estabelecimentos farmacêuticos.
A partir de 1946, filiou-se ao PSD (Partido Social Democrático), juntamente com o seu irmão Eduardo Benevides, eleito três vezes Prefeito de Pacatuba.
Em 1949, fundou a Cooperativa de Crédito do Comércio Popular Ltda., na Rua Major Facundo, 780, no centro da cidade, contando com as parcerias empresariais de seus grandes amigos Clóvis Arrais Maia e José Ibiapina de Siqueira, a qual gerenciou até 1969.
O seu retorno à vida legislativa somente ocorrera nas eleições de 15 de novembro de 1974, quando se elegeu deputado Estadual pela legenda do MDB (Movimento Democrático Brasileiro), em substituição a seu filho Carlos Mauro Cabral Benevides, (político consagrado em todo o Estado, e que havia sido Presidente da Assembléia Legislativa do Ceará 1963 -1965) ajudando a eleger o mesmo, a Senador da República.
A continuidade política do nome de Carlito Benevides prossegue até os dias atuais, através das brilhantes atuações dos seus netos, Deputado Mauro Filho, um dos mais destacados parlamentares do Poder Legislativo da atual geração, e Régis Benevides, Vereador da Câmara Municipal de Fortaleza, além do ex-Senador e Deputado Federal pelo PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro), Mauro Benevides, seu ilustre filho. Ao Mauro Benevides, dispensa-se comentários.

A fé em Deus resume todo o sentido da Vida”. Carlito Benevides, patriarca.

 

 

 

 

 

 

VIRGÍLIO TÁVORA POLÍTICA E PAIXÃO

Virgílio de Morais Fernandes Távora nasceu em Jaguaribe-Mirim, hoje conhecido por Jaguaribe. Filho de Manuel do |Nascimento Fernandes Távora e e Carlota Augusta de Morais Távora. Ingressou na Escola Militar de Realengo no Rio de Janeiro em 1938 influenciado pela carreira militar de Juazrez Távora , seu tio. Passou pela Escola de Estado Maior do Exército  pela Escola Superior de Guerra chegando a Coronel em 1960.

Eleito deputado federal pela UDN em 1950 e 1954 . Foi o representante da oposição ao governo Juscelino Kubitschek na diretoria da Companhia Urbanizadora da Nova Capital (1959-1961) e membro do Conselho Nacional do Serviço Social Rural (19601961). Ministro da Viação e Obras Públicas no gabinete parlamentarista de Tancredo Neves e deixou o cargo para disputar o governo do Ceará em 1962..

À frente de uma coligação chamada “União pelo Ceará” reuniu em torno de si a UDN e o PSD pacificando a cena política local lançando as bases do que seria a ARENA após a decretação do bipartidarismo via Ato Institucional Número Dois em 1965.

Em seu governo a energia da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso chegou progressivamente a todo o Estado e assim foi incrementada a infraestrutura local e implantado o Distrito Industrial. Em sua gestão aplicou o chamado “Plano de Metas do Governo” (PLAMEG). Em 1966 foi eleito para o seu terceiro mandato de deputado federal.

Ao lado de César Cals e Adauto Bezerra formou o triunvirato de coronéis que dominou a política cearense durante todo o Regime Militar de 1964 sendo que Virgílio Távora foi eleito senador em 1970 e indicado governador do Ceará pelo presidente Ernesto Geisel em 1978.

Filiado ao PDS ex –Arena foi eleito para o seu segundo mandato de senador em 1982 com uma votação recorde até então. Permaneceu no partido mesmo com o surgimento do PFL em 1985.

Virgilio Távora, no Senado Federal foi o responsável pela aprovação do particular uso de computadores no Brasil, coisa que era restrita às Forças Armadas.

Foi vitimado pelo câncer na próstata quando de sua internação no Hospital Albert Einstein na capital paulista, vindo a falecer em 3 junho de 1988. Era constituinte, mas não chegou a assinar a promulgação da Nova Carta Magna da Nação acontecida em outubro do mesmo 1988.

 

“São as paixões e não os interesses, que constroem”. Virgilio Távora.