VERDADEIRO BAR AVIÃO

          BAR AVIÃO, PARANGABA E A ENTRADA DA SERRINHA

Inaugurado em 1941 por Antônio Paula Lemos com casa redonda, esta é a verdadeira fachada do Bar Avião. A inspiração pelo nome fora dada ao seu idealizador, que era um apaixonado por aviões. Era que o antigo Cocorote (lagoa da Palha que gerou a corruptela Opaia), tinha um campo de aviação, que se transformaria em 1952 no antigo aeroporto Pinto Martins.

No local do desaparecido Jóquei Clube, hoje hospital da mulher, sentido Oeste do Bar percorrendo em rumo ao Sítio Ipanema, fora construída uma base militar Norte Americana, no período da Segunda Grande guerra. O autor destas linhas fui um dos que conheceram a deteriorada pavimentação, que era a pista das aeronaves estrangeiras. (no local hoje,Estação da Cagece). Isso influenciou o nome ao Bar.

No bar em baixo existia uma bomba de gasolina com estacionamento. Em cima um terraço. A linha férrea da Estrada de Ferro de Baturité passava ao lado e, tinha uma ruela que depois seria alargada.

O Cotonifício Leite Barbosa S/A, aos 16 de junho também de 1941 comprou um terreno da família do Cel. Zacarias Gondim, onde fora construída a Fabrica Santa Cecília, porém, a indústria só funcionaria em 1944. (Unitextil). Assim surgiram as ruas Prof. Theodorico, 15 de Novembro, Dom Carloto Távora e por aí se ia para a Serrinha, que devido à ligação com distrito de Messejana, o bairro ficou descaracterizado.

A via que era a Estrada da Boa Vista, passou a se chamar Paranjana (Parangaba-Messejana), depois Dedé Brasil e hoje Silas Monguba. O maior referencial do Bairro da serrinha, por coincidência era um concorrente do Bar avião; era o Bar do Raimundão, com seu tradicional forró aos sábados. Ficava na esquina com a Rua Bruno Valente.

A lagoa da Rosinha e o Serrote que inspirou o nome SERRINHA perderam nomenclatura, afinal, o novo aeroporto nivelou a área que era propriedade do Ministério da Aeronáutica. Quem trafega pela Avenida Carlos Jereissati percebe a diferenciação pela topografia. Mas isso é outra história…

O Bar Avião apesar de ser lendário, mutilaram-no entregando-lhe anexo com plataforma e colunas fugindo ao original. Com o Metrô de Fortaleza, seu viaduto tirou a estética do entorno de modo à edificação se monstregar. Estão matando a Parangaba.

Volto ainda um dia para falar sobre a estação ferroviária que, também sofreu ameaça, e sobre a abandonada Casa de Intendência. Bem, borracharia e promiscuidade jamais. Tomara que uma boa ornamentação devolva ao local, um aconchego, mas o prediozinho aeronauta, não terá mais sua originalidade. Servirá apenas como ponto referencial. Destruíram um dos ícones de Fortaleza que um dia, sabe Deus, será bela.

A índia Iracema de José de Alencar, não teria mais coragem de tomar banho na bucólica lagoa de Porangaba. As famílias Ana Lemos, Monte Negro e os Pedra que o digam.

Bar Avião é Bar Avião.

 

 

OTÁVIO BONFIM QUE SAUDADE DO TREM

 

 

 

Quando o trem da Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité (depois Rede de Viação Cearense – RVC, RFFSA e hoje Metrô de Fortaleza, começou a circular em 1873, a linha que partia da Estação Central fazia uma grande curva acentuada, penetrando na Rua Trilho de Ferro, atual Tristão Gonçalves que, devido ao afogamento no Centro de Fortaleza fizera com que o diretor da RVC, Dr. Henrique Eduardo Couto Fernandes desse início em 1916, aos estudos para o desvio dos trilhos, livrando o trânsito e a população de acidentes.

Atendendo sua consultoria técnica e recebendo o sinal verde das autoridades, Couto Fernandes iniciou as obras ficando os trilhos em paralelo com a já avançada linha do Soure (Caucaia); após a ponte metálica sobre o Riacho Jacarecanga, a via fez uma curva de 90º nas terras do Coronel Pedro Filomeno.

Ponte Sobre o Rio Jacarecanga

 

A primeira grande reforma ocorrida naquele pedaço, diz a história, que foi no início da Rua Dom Jerônimo. Há quase cem anos e ainda na areia, com projeto aprovado pelo Intendente Guilherme Rocha, fora construído um forno crematório, onde o lixo da cidade era incinerado; por o terreno pertencer a Intendência de Fortaleza (Prefeitura a partir de 1914) o mesmo abrigaria a Sumov, hoje Secretaria Regional.

A chamada “Linha Nova”, que havia tido o batimento da primeira estaca em 1920, foi inaugurada em dia 31de dezembro de 1922; a primeira parada era no Matadouro. Chamou-se assim pois, a matança de gado para o abastecimento de carne verde de Fortaleza era no local em que ergueram a estação. Em 1945 a direção RVC ordenaria que os trens suburbanos parassem na já Avenida Francisco Sá.

 

 

Com o novo trecho Estação central – Matadouro, a Rede de Viação juntamente com os órgãos governamentais oficializaram quatro passagens de nível assim descritas: Avenida Tomaz Pompeu (atual Filomeno Gomes), Estrada do Urubu (que já foi Demósthenes Rochert e agora Francisco Sá), Açude João Lopes (Sargento Hermínio) e o Caminho do Barro vermelho que se denominou Avenida Bezerra de Menezes, cuja inauguração de seu alargamento data de 1 de julho de 1959.

 

 

A Estação Matadouro passou a se chamar Otávio Bonfim aos 24 de fevereiro de 1926. O ponto de junção dos trilhos deu-se no Sitio que pertenceu ao abolicionista José Correia do Amaral (Curva do Amaral/Porangabussu), tal como esteve até 2010.

O Estado do Ceará era ícone na cotonicultura e, escoava sua safra na maior parte por ferrovia. Os empresários construíam estrategicamente seus empreendimentos nas proximidades da Via férrea. Os desvios particulares eram construídos para o atendimento de seus interesses. Foi o caso da Usina Gurgel de propriedade da Firma Teófilo Gurgel valente, que se chamou “Usina ceará”, inaugurada no dia das crianças de 1919. A Casa Machado, empresa também de beneficiamento de caroço de algodão, na entrada do Pirambú fez também o seu desvio para carga e descarga de vagões.

O destino às vezes coloca em nossa frente coisas efêmeras, e a Estação de Otávio Bonfim parece ser uma delas, se não vejamos:

– Inaugurada a linda estação, a mesma ficou com o nome de “Matadouro” de 31 de dezembro de 1922 até 24 de fevereiro de 1926;

– Já com o nome de Otávio Bonfim a fachada ficou até 1979, pois em 20 de maio de 1980 era inaugurada uma Estação, com plataformas para receber carros Pidner  pela Coordenadoria de Transporte Metropolitano da RFFSA, transferida hoje para a Companhia Cearense de Transporte Metropolitano – Metrô de Fortaleza.

– O depósito de lenhas que se localizava no pátio de Otavio Bonfim, aos 28 de janeiro de 1937 foi transferido para o Bairro das Damas no km 8 (atual Couto Fernandes) ficando lá até 1963; No local do depósito de lenhas, foi inaugurada aos 26 de dezembro de 1938 a Vila Operária da RVC.

Agora com o projeto Metrofor, o trem abandonou a área. É a inviabilização das coisas e espero o meu leitor concordar. A Siqueira Gurgel (fabricava o sabonete singel, sabão pavão, Óleo Pajeú e a gordura de coco Cariri) e a Casa Machado já desapareceram do local, e os cargueiros passaram a trafegar por uma variante na corrente de tráfego Pajuçara-Caucaia saindo de circulação do perímetro urbano.

É lamentável para uma empresa de transporte perder usuários, mas temos que viver a realidade; Otávio Bonfim é bem assistido por transportes alternativos, afinal a questão física da área continua imutável. Defronte passa a movimentada Avenida Bezerra de Menezes, sendo ainda ao Leste a entrada do Beco dos Pintos e ao Norte o Cercado Zé Padre.

Hoje quando chego ao cruzamento da Via férrea com a Avenida Bezerra de Menezes, quanta diferença. Não vejo mais saindo pela Rua Justiniano de Serpa os ônibus que faziam as linhas Granja Paraíso e nem o Dona Tereza. Cadê os ônibus para o Sitio Ipanema, Vila dos Industriários, Campo do Pio, os elétricos? E a farmácia da D. Rosélia na esquina?

Bem, o trem voltar a circular pela Tristão Gonçalves é a história se repetindo, mas uma nova história que facilitará a vida do fortalezense gerando ainda mais progresso.

O bairro Otávio Bonfim já está sentindo saudade do seu trem, porém, no silêncio da meditação vai compreender, se bem que já tem gente até cantando: “Que saudade temos do trem!”.

 

 

Nota: Octávio Bonfim. Engenheiro civil formado pela Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Foi Chefe do Setor de Obras do Departamento de Via Permanente. Elaborou o projeto de construção das Oficinas do Urubu e Construiu o Ramal Ferroviário de Orós. Estava no comando do Setor de tráfego da Rede de Viação Cearense – RVC quando aos 30 de Julho de 1925, veio a falecer, com 41 anos de idade..

 

OITICICA CONSTRUÇÃO HISTÓRICA NÃO LEMBRADA

                                   

                                     CONSTRUÇÃO HISTÓRICA NÃO LEMBRADA

 

 Os trilhos da antiga Rede de Viação Cearense – RVC chegaram ao extremo Ceará – Piauí na seca de 1932, quando o Dr. Luciano Martins veras em segunda gestão, inaugurou a estação de Oiticica, que serviu como apoio aos trabalhos de construção e prolongamento entre os dois Estados nordestinos, em que os serviços foram atacados nos dois pontos, mas que, por escassez de recursos foram paralisados.

Somente em 1955 foi que o então Departamento Nacional de Estradas de Ferro – DNEF (para continuar as obras) foi delegado pelo 4º batalhão de engenharia e construção do 1º grupamento de engenharia do Ministério do Exército. Entretanto, passou-se dez anos para a concessão ser dotada de mais substancia, quando teve acelerado o seu ritmo, o que possibilitou aos 11 de janeiro de 1972 a integração de todo o Sistema Ferroviário Nacional.  A linha que saiu de Oiticica, fez junção em Altos – Castelo no Piauí, perfazendo um percurso de 196 quilômetros, e a pequenina locomotiva Brockville que tracionava as plataformas e gôndolas de materiais, veio para Fortaleza alternar com a locomotiva Whitcomb nº 623 (motor de caterpillar) o transporte do trem dos operários. Depois com todas as honrarias e verdinha, essa máquina fora recebida pelo museu ferroviário do Ceará em setembro de 1982.

Na época essa obra de ligação, além de condicionar os trens saírem de Uruguaiana, Bagé ou Jaguarão no Rio de grande do Sul, sem baldeações, os mesmos passariam a alcançar o porto de Itaqui em São Luis do Maranhão. No Plano Nacional de Viação, esse trecho ficou conhecido como Tronco Circular do Nordeste, afinal apresentou também concorrências para o desenvolvimento da região que se juntou aos incentivos oferecidos pela Sudene e à Hidrelétrica de Boa Esperança.

O custo desta construção atingiu na época, cerca de 35 milhões de cruzeiros, recursos próprios, orçamentários do Departamento Nacional de Estradas de Ferro. Com bitola de 1,00 m, trilhos de 37 Kg/m, rampa máxima de 1,5 % e raio mínimo de 245 m, essas obras exigiu um movimento para mais de 7 milhões de metros cúbico, além de execução de 11.000 m de obras de arte. No ato inaugural, se fez presente Excelentíssimo Senhor Ministro dos transportes, Mario Andreazza.

Agora acontecimento desta envergadura em Estado pobre, é condenado ao esquecimento, por isso com justiça a história precisa ser resgatada.

O moderno hoje é o antigo amanhã. E o antigo não foi moderno ontem? Então para que serve a história, senão para compreendermos o hoje! A ferrovia está ainda por aí, mas parece que junto com a erradicação dos trens de passageiros de longo percurso naquele dezembro de 1988, foi embora também o interesse de fatos notórios.

Aos 27 de setembro de 1825, surgiu na Inglaterra o trem no mundo; 30 de abril de 1854 foi a vez do Brasil e em 30 de novembro de 1873, o nosso Ceará entrou nos trilhos.  Agora parece que essas datas foram assinaladas na história por acaso. Ninguém lembra, assim como solitária estação de Oiticica que, serviu de apoio a uma grande realização não percebida. Tudo é passado, passou…

Nota: A Estação de Oiticica foi inaugurada aos 30 de novembro de 1932, no Km 500,077 da linha Norte e com 261 metros acima do nível do mar.

JOSE DE ALENCAR UMA PRAÇA QUASE SEM SOSSEGO

                                JOSÉ DE ALENCAR UMA PRAÇA QUASE SEM SOSSEGO

 

 

Antes de ser praça, no local que seria um dos logradouros mais movimentados da cidade era apenas um areal, e a urbanização teve sua gênese a partir do lançamento da pedra fundamental de uma igreja, que ocorrera aos 2 de fevereiro de 1850, cujo nome fora Nossa Senhora do Patrocínio graças a um voto devocional do alferes Luis de França Carvalho. A igreja começou as celebrações em 1855.

Um ano após o funcionamento da igreja, surge em Fortaleza uma planta desenhada pelo padre Manoel Rego Medeiros já mostrando o campo com a igreja mas, sem nenhuma edificação de destaque. Com a movimentação, foi o espaço ganhando vida e consequentemente fora se urbanizando. Nessas condições é que, fora levada à Intendência uma proposta do vereador Coelho da Fonseca (hoje nome de Rua no Bairro Carlito Pamplona), e a Praça do Patrocínio como era chamada, em 1870, denominou-se “Praça Marquês do Herval”, como uma homenagem a Manuel Luís Osório, Patrono da Cavalaria do Exército Brasileiro.

Em 1903 era intendente de Fortaleza Guilherme Rocha que reformando a Praça, colocou um Coreto aformoseando-a com o Jardim Nogueira Acioly mas que, em 1912 foi mudado para Jardim Franco Rabelo. Depois, o coreto foi retirado e montado na Ponte metálica e lá se acabou. Começava assim as turbulências da Praça em epígrafe.

Existem vários documentários sobre praças de nossa cidade. Praça do Ferreira, Passeio Público. Imagens de época em filmes nos mostram as praças dos Leões, da Bandeira como, popularmente são conhecidas. A Praça José de Alencar, não.

A atual Praça que estamos descrevendo, é situada entre as ruas: Guilherme Rocha (antiga Rua da Municipalidade); Liberato Barroso (que já foi Rua das Trincheiras); General Sampaio (Da Cadeia) e a 24 de Maio (Rua da Lagoinha/ Do Patrocínio), tudo isso documentado pela planta do padre Medeiros.

Observemos: no canto Nordeste era a sede da Fênix Caixeiral (1905), que saiu para o canto Noroeste (1915), tomando o terreno onde estavam as ruínas da casa de Nogueira Acioly, incendiada em 1912. (Diz-se que entre os pertences do comendador estavam os projetos, plantas e as fotos da construção e inauguração do Theatro José de Alencar. Não sei se procede tal informação, mas em lugar nenhum encontramos tais registros). Quem disse que o segundo prédio da Fênix Caixeiral ainda está lá?

O quartel da Polícia fora demolido e vizinho, em 1910 fora inaugurado o supramencionado Theatro. A Escola Normal D. Pedro II, que após desativação acolhera as Faculdades de Ciências de Saúde, hoje é a Superintendência do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN.

Em 1954, numa apoteótica festa animada por César de Alencar, aos 9 de outubro era entregue ao público o novo prédio da Rádio Iracema de Fortaleza, batizado de Edifício Guarany, onde lá a emissora permaneceu até 1973. O belo edifício uma vez abandonado fora batizado por ignorantes cultural de “Mostrengo” desaparecendo anos seguidos. No mesmo quarteirão, na gestão Cesar Cals Neto fora montado o Shopping do Camelô que, por ocupar os camuflados cabarés do Centro, herdou a nomenclatura de uma ruela cheia de lâmpadas vermelhas, chamado de Beco da Poeira.

A Biblioteca Pública foi derrubada no canto Sudoeste e o industrial Pedro Philomeno construiu um residencial e o Lord Hotel, que mesmo se deteriorando, parece que vai sobreviver. No canto Sudeste tinha um Posto de Saúde e hoje é um jardim. Quanta tribulação!

Postos de gasolina em número de dois, sumiram. As lojas e os cafés estão desaparecendo. E os armazéns de tecidos? O terminal de ônibus que funcionou recebendo os coletivos da Praça do Ferreira, lá ficou até abril de 1988. Até o Instituto – IAPB, fora entregue ao Município, e tinha afluência de pacientes, com as redundantes reclamações. O mesmo está interditado.

Reformas e reformas, mas vai ficando a igreja, e a estátua do patrono da Praça. O monumento fora idealizado pelo jornalista Gilberto Câmara, esculpido pelo paulista Humberto Cozzo, e financiado pelo cônsul Francesco da Itália. Pelo menos esta equipe foi feliz, colocando a estátua do grande escritor José de Alencar sentado, pois, a memória do homenageado ainda teve de ficar de 1 de maio de 1929 até 1938, para a praça tomar seu nome.

Um logradouro sem rosto e de tanto futricarem tem-se mesmo que assistir sentado, para não desmaiar! E agora veio o Metrô que tirou o Beco da Poeira. Na gestão de Roberto Cláudio (2013-21) parece que houve um conclusivo, mas com uma roupagem sem graça com bancos desconfortáveis. Não existe alma nesse logradouro.

Será que nossa geração não vai alcançar uma praça, bonita e dela se usufruir?

Fortaleza beleza, revitalização do Centro, na minha despretensiosa análise são retóricas, afinal, está aí a história para nos dizer…

 

 

O GUINDASTE TITAN

O Guindaste Titan 

Quando menino morava na Vila São José no Jacarecanga, meu bairro berço. Quem ia dessa Vila para a praia, palmilhava por um estreito calçamento de pedras toscas; de um lado as paredes da Fábrica de “Redes Philomeno” e do outro o paredão que sustenta a ponte da via férrea sobre o riacho Jacarecanga, verificando-s a separação dos trens: Um para Baturité e outro para Sobral e a bifurcação era na mercearia do Edmilson, que contemplava a passagem dos trens em ambos os sentidos.

Na ponta Noroeste do cemitério São João Batista pelo lado da Avenida Filomeno Gomes (outrora Thomaz Pompeu), ainda existia a abandonada casinha de força dos bondes da The Ceará Tramway Light & Power Co. Ltd”, extintos em 1947. A casinha desapareceu em 1971.

Entrando à esquerda e transpassando as linhas, aquele cinturão verde/azul me encantava. Era o mar. Após quase meio quilômetro de caminhada em declive, meus pés tocava nas areias frouxas quando, ainda existiam coqueiros e a cerca de arame farpado que, demarcava o limite do terreno da Escola de Aprendizes marinheiros, pois, ainda não existiam a Avenida Leste Oeste e nem tão pouco, o interceptor oceânico. O Clube Ipuense com cobertura tipo palhoça animava seus frequentadores nos fins de semana.

Em minhas aventuras pescava nas praias do Jacarecanga e Pirambu onde comprava anzol apelidado de “cara torta” no “Bar do Ferrim”, na mesma calçada da casa do pintor primitivista Chico da Silva. Como menino, Deus me livre de ir para o Cabaré Gozo do Siri (Mansão que pertenceu à família ilustre Moraes Correia).

Como toda criança curiosa, ficava a indagar: O que fazia aquela grande chave de abrir carne de lata por detrás do mar? Depois, em 1970 fui levado por meu pai numa das tardes de domingo, a um passeio no Caís do Porto. Eu tinha 12 anos de idade e pela primeira vez vi de perto um monstro de ferro.

Proveniente do Rio de Janeiro, sob o comando do capitão mineiro Nabucodonosor Ferreira, chegou a Fortaleza às 11.45 h do dia 26 de maio de 1939, o vapor da Cia. Costeira “Itapoan” cujas cento e oitenta toneladas de materiais, eram o possante guindaste Titan.

Essa gigante máquina, com o motor Caterpillar foi montada pela “Companhia Nacional de Construções Civis e Hidráulicas – Civilhidros” que também era a proprietária do guindaste. O descarregamento do material durou cerca 10 dez dias, pois, o navio retirou as ferragens na própria enseada do Mucuripe, com o auxílio de Alvarenga.  Referida máquina foi montada para ajudar nas obras do porto do Mucuripe, quando inicialmente foi construído o espigão para retenção das águas, no local que hoje é denominado: “Praia Mansa”.

No dia 3 de junho de 1940 o gigantesco Titan caiu no mar. Foi a mais sensacional notícia do dia, quando os moradores do Mucuripe em procissão marcharam ao local. O monstro de ferro ao levantar uma carga de 50 toneladas de pedra, tombou no mar a três quilômetros da praia. As obras que dependiam dele ficaram paralisadas até janeiro do ano seguinte.

Com a inauguração do Cais, o Titan ficou na ponta do espigão sendo um ícone, e foi quando em terra, lá da hoje Praça Marcílio Dias (Bairro Navegantes) despertou a curiosidade do menino que escreveu estas linhas. O guindaste já entregue às intempéries foi vencido pela corrosão, desabando parte de seu guincho. Em 1976 a Cia Docas resolveu destruí-lo com o uso de maçarico, e depois dinamitou suas bases.

O titan continua emoldurado apenas na lembrança dos enamorados da querida Fortaleza, nesse local onde o navegador espanhol Vicente Pinzon, pisou….

Inteiração:

“Material que veio no Itapoan para o Mucuripe”:

  • 2 vigas de madeira; 16 rodeiros de ferro; 8 motores elétricos; 5 vigas de ferro; 1 triângulo de ferro com coluna; 4 setores de ferro duplo (anel de orientação);
  • 4 setores de ferro duplo (suporte ,rolos com parafusos); 4 setores de ferro duplo (trilho base lança); 2 caixas de madeira com parafusos; 1 viga de ferro (conjunto triângulo); 1 base com rodeiros e rolos; 1 rodeiro fixo para máquinas; 1 caldeira à vapor; 3 secções de lança. Total: 53 volumes”.

(Jornal O Povo 27-05-1939).

RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE

RÁDIO ASSUNÇÃO CEARENSE

 A Rádio Assunção Cearense tem sua embrionagem um tanto remota, e com inspiração estrangeira. Em 1947, na Colômbia um Sacerdote que havia sido nomeado vigário na cidade de Sutatenza, assistia 800 almas em sua paróquia. Mas, ele tinha algo que diferenciava dos demais. Gostava de rádio e era radioamador naquele país montanhoso.  Refiro-me ao Padre Jose Salcedo, que enfrentava dificuldade em contactar com suas ovelhas.

Padre Francisco Pinheiro Landim (1923 – 1993)

Discursando na Inauguração

A coisa foi revolucionária, afinal montou uma pequena estação transmissora, pois o mesmo era habilidoso na instalação e expansão de rádios receptores.  Com a tenacidade que lhe era própria, não era estático, e com verdadeiro dinamismo percebeu que a população local na década de 40 era iletrada. Foi a alavancada que daria grande crescimento ao seu ministério sacerdotal. Após a metade da segunda década desse projeto radiofônico eclesiástico, congregou muita gente pertencente a uma população dispersa pelas encostas dos Andes Colombianos, e a ação social tornou-se popular. Tamanha fora a repercussão que a programação diária captou discípulos na Venezuela e equador.

Essa idéia inspiradora mobilizou a Arquidiocese em Fortaleza, e o Padre Arimatéia Diniz em 1954 deu os primeiros passos, e quando tudo se encaminhava para o concreto, em 1958 a direção da Igreja católica no Ceará desviou toda a atenção e, os recursos alocados foram destinados para o flagelo da grande seca. (Foi neste ano que o autor destas linhas veio ao mundo).

Samantha Marques

Iniciou na Assunção em 1974

Essa estação foi um presente de uma comunidade católica alemã, ao Dom Antonio de Almeida Lustosa, então Arcebispo de Fortaleza, pela passagem de seu jubileu de ouro no sacerdócio. O nome oficial da rádio é Radio Nossa Senhora da Assunção, porém devido à programação e, para facilitar as chamadas em vinhetas, tomou a forma contracta de Radio Assunção. Como emissora integrante da Rede Nacional de Educação de Base foi ao ar oficialmente aos 11 de fevereiro de 1962. O estúdio foi localizado na Rua Visconde Saboya nº. 280, tendo como Superintendente o Padre Francisco Pinheiro Landim e como Diretor Comercial o também Pe. José Mirton Lavor. A estação transmissora na Rua Joaquim Manuel Macêdo, no bairro Henrique Jorge que, na época era chamado de Casa Popular, e nas adjacências da antena de 90 metros, um matagal. O professor Everardo Silveira foi o locutor da iniciação.

A Arquidiocese de Fortaleza agora contou com mais um aliado para a imprensa, haja vista ser proprietária do Jornal O Nordeste, cuja circulação fora erradicada em 1967, já na gestão de Dom José Delgado. A emissora de equipamento importado tinha antena direcional, cujo benefício técnico era o não desperdício de rádio – freqüência para o mar. trabalhando com ondas médias e tropicais (ondas intermediárias) isso permitia uma boa penetração no interior cearense e outros Estados do nordeste.

Com o advento da revolução de 1964, as coisas não ficaram bem para a imprensa.  José Milton firmou contrato com a Rádio dragão do mar e a Direção Comercial foi para as mãos de Geraldo Fontenele. A Rádio Assunção tomou um novo formato com o ingresso de Fontenele, que com apenas 30 anos de idade já tinha um currículo denotando experiência, já havendo sido produtor de programas, animador de auditórios, radioator, redator de noticias, narrador e Diretor de Broadcasting da Rádio Difusora de Teresina (PI) e com passagem pela Rádio Poti de Natal (RN).

Sob pressão de forças revolucionárias, o Governo do estado cortou verbas de incentivos e, a Assunção tinha que se manter por ela mesma. Nesse período muitos empresários em outros Estados, perderam a concessão de suas emissoras que, são renovadas a cada dez anos. Foi graças à habilidade de Fontenele, que havia acumulado a direção de Jornalismo e Comercial que, a Assunção cearense em 1972 renovou concessão, tendo em vista não permitir ao microfone, a participação de padres expressarem suas idéias por serem comunistas.

A emissora funcionava 24 horas, e há zero hora começava um programa chamado “Varig a dona da Noite”, com uma belíssima seleção musical indo até as 5 da matina. Com o clarear do dia vinha “Alvorada Cabocla”, com violeiros e cantadores, um estilo ainda muito aceitado no sertão, na periferia de Fortaleza e, no coração de todos aqueles que ainda querem preservar a cultura nordestina.

Radialistas que passaram pela Assunção em seu primeiro biênio: Hermano Justa, Narcélio Lima verde, Ivonete Maia, Ribamar Matos, Edvar de Souza, Nazareno Albuquerque, Ivan Lima, Luiz Cavalcante, Paulo Oliveira, Tarcisio Holanda, Oliveira Ramos, Mauricio Carvalho, Marciano Lopes, F. Capibaribe, Airton Monte, Silvio Leite, Júlio Sales.

A equipe esportiva foi incrementada com a contratação de Gomes Farias que permaneceu na rádio de 1964 a 1967, quando retornou para Dragão do Mar.

A televisão na época era somente a TV Ceará canal 2, o que permitia a existência do rádio-teatro, que tinha no elenco Oliveira Filho, J. Oliveira, Dóris… Locutores Mattos Dourado, José Costa, Oséas Cruz, Peter Soares, Bonifácio de Almeida.

A Superintendência da Emissora até 1966 ficou a cargo do Padre Landim, quando foi nomeado o Padre Gerardo Campos, que muito lutou para manter a Assunção num patamar estável. Eram seus companheiros de equipe sacerdotal: Padres Gotardo Lemos e Mirton Bezerra de lavor.  Foram eles os responsáveis pela irradiação dos programas religiosos: “Oração por um dia Feliz”; “A Casa é de Todos”; “Movimento de Educação de Base – Escolas Radiofônicas”; “Missa do Pastor” e “Palavra do Pastor”.

Em 1969, o veterano José Cabral de Araújo recebeu e aceitou o convite de Dom José Medeiros Delgado para assumira Superintendência da Assunção, em substituição ao Padre Gerardo Campos. Com o aval do Arcebispado, Cabral de Araujo apesar de paraplégico, tinha muita lucidez em suas decisões Houve assinatura e rescisão de contratos. Implantou em seis meses um novo modelo administrativo: o Arrendamento.

O primeiro arrendamento foi no setor esportivo com a volta da equipe de Gomes farias, e a posterior contratação de Paulino Rocha. A partir de então a Assunção de quarta colocada passou a primeira, o que atraiu muitos anunciantes da Capital e do Interior.

1973 foi um ano de doçura para a Assunção quando pelo Ibope, confirmou primeiro lugar, porém a rádio Verdes Mares ofereceu a equipe esportiva uma proposta irrecusável, e assim se despediram da Assunção: Gomes Farias, Paulino Rocha, Bonifácio de Almeida, Souza Filho, Peter Soares, Moraes filho, Daniel Campelo e de lambuja José Maria Sales o operador de áudio.

A emissora teve que buscar alternativas, e fora transformada em uma freqüência musical, enfatizando programas noticiosos, e voltar sua programação para os bairros, com sua unidade móvel de freqüência modulada, com locução de José Santana e o “Seu Repórter em Ação”.

Aos 4 de agosto de 1973, assumia a Igreja em Fortaleza, Dom Aluísio Lorscheider, com recepção transmitida diretamente do aeroporto Pinto Martins, pelo recém contratado José Lisboa, vindo de uma longa caminhada através da Rádio Iracema, e assim nasceu a “Discoteca do Lisboa”.

Em outubro do mesmo 73, Cabral de Araujo se desvincula da emissora por problema de saúde, e definitivamente abandona o rádio. Geraldo Fontenelle assume a superintendência. Fontenelle em suas andanças deu uma passada na Empresa Cearense de Turismo – Emcetur, quando ouviu uma linda voz de uma moçinha que fazia os anúncios para permissionários e turistas, no local da antiga cadeia pública. Tratava-se de Maria do Socorro Marques Viana, que de Iguatu havia chegado a Fortaleza em 1966. A mesma tinha um sonho, que era trabalhar em rádio, mas mesmo batendo nas portas não conseguia.

Geraldo Fontenelle à conduziu para os microfones da Assunção Cearense que ainda ficava na rua Visconde de Saboya, e assim começou a trabalhar no horário de 20 às 22 hs. A jovem Trabalhou por dois anos, indo para a Ceará Rádio Clube, e em seguida para a Dragão do Mar, quando em conversa com o diretor artístico da Dragão, José Elias vindo da Rádio Globo do Rio, sugestionou que Maria do Socorro deveria ser Samantha. Daí surgiu Samantha Marques.

Em 1976, Dom Aluisio Lorscheider foi eleito e proclamado Cardeal da Igreja Católica. Foram importantes solenidades e dias alternados: dia 24 e 29 de maio na sala de solenidades do Papa Paulo VI na Basílica de São Pedro. Geraldo Fontenele viajou para a Itália e durante a permanência de Dom Aluísio em Roma, diariamente as 12 e 18 horas havia transmissões. Com equipe própria, essas foram consideradas as primeiras transmissões internacionais de rádio no Brasil.

Por a emissora pertencer a igreja católica, ela teve por obrigação montar uma central de transmissão em seus estúdios (rua Visconde Sabóia), e com sua unidade móvel de FM, fazer toda a cobertura da visita do Papa João Paulo II à Fortaleza em Julho de 1980.

Em outubro de 1981, Dom Aluísio anunciou a venda da Rádio Assunção Cearense. O clero cearense não foi consultado, apenas o Conselho Arquidiocesano e membros da CNBB. Com a participação do Monsenhor André camurça nas negociações, a rádio fora vendida em dezembro de 1981. Em súmula, a igreja católica ficou sem o Jornal O Nordeste, O Palácio São José (Do Bispo) e o Banco Popular.

O radialista Moésio Loyola, que ainda atua nos microfones com programas esportivos tornou-se proprietário da Emissora, mas por tradição deixou espaço para a programação religiosa.

Sei que vou pecar por omissão, mas quero deixar registrados alguns programas que marcaram época: O Esportivo com Paulino Rocha; Programa Oseias Cruz; Discoteca do Lisboa, com José Lisboa; Forrozão da Assunção com Carneiro Portela; Política com Fernando Maia; Recordação Saudade, E Os Anos Carregaram e Parada dos Maiorais com Wilson Machado. Nas tardes de sábado tinha um programa exclusivo de nostalgia e com musicas do passado não distante.

Sempre na freqüência de 620 kHz, Rádio Assunção Cearense já esteve com o estúdio instalado na Rua Irauçuba e hoje na esquina da Rua Bárbara de Alencar com Avenida Rui Barbosa na Aldeota. Conservando programação esportiva a emissora de freqüência mais baixa de Fortaleza, no ano 2000 arrendou seus horários à Comunidade Católica Shalom, contrato este que perduraria até 10 de maio de 2006. A mesma, sem programação definida até 10 de julho do mesmo 06 tornou se afiliada da Rádio globo do Rio de Janeiro até 15 de julho de 2012. A partir do dia 16 numa Segunda feira, voltou novamente como Radio Assunção Cearense. A programação novamente enriqueceu a terra, mas de modo efêmero, pois depois intercalou sua programação com a Rede Bandeirante de Rádio.

Magnólia Paiva

A Assunção Cearense vai sempre se adequando com sua programação voltada para o ouvinte exigente e de bom gosto. Cito exemplo a chegada do Programa do Bem com Magnólia Paiva, que estreou em dezembro de 2020.

 

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CAUCAIA NA ROTA DO TREM

 

Caucaia na Rota da Ferrovia

Administrada pelos jesuítas, a antiga “Missão de Caucaia” foi elevada à categoria de Vila em 1758 cuja freguesia criada um ano após, denominou-se de Soure, nome advindo do bispado de Coimbra em Portugal. Caucaia é um termo do guarany Caa = mato + Caia = queimado, designando o nome de Mato queimado.

Soure juntamente com Arronches (Parangaba) tanto as Vilas como as Freguesias foram extintas em 1833 e 1835 respectivamente, sendo seus territórios novamente anexados à Capital.

Banhado pelo oceano atlântico ao Norte, os outros limites originais de Soure eram fluviais, pois, ao Leste ficava o Rio Ceará, ao Sul o Boticário em Santa Luzia de Maranguape e, ao Oeste Siupé pelo Cauípe.As várzeas eram cobertas por carnaúbas e tinha áreas montanhosas com cultura diversificada, dentre as quais, criatórios de bovinos.

Em 1860 a povoação de Soure era em torno de 6.000 habitantes que sobreviviam da agropecuária e pesca, constando de 40 fazendas, 50 lavras de café dentre produtos como mandioca e algodão. Com as noticias do surgimento do trem no Rio de Janeiro (1854), os Srs. comerciantes Antonio da Cruz Guimarães e José Joaquim Carneiro, assinaram com o Governo Provincial em 15 de abril de 1872, um contrato para a construção de uma linha férrea que, partindo de Fortaleza iria até Soure com um ramal para São Gonçalo do Amarante.O projeto ficou só na teoria.

Aos 4 de fevereiro de 1910, o Governo da União arrendou os serviços de exploração do transporte ferroviário do Ceará para uma firma inglesa denominada: “South American Railway Construction Company Limited”, de onde em uma das cláusulas do referido pacto, constou a Construção da “Estrada de Ligação” ou seja uma linha que saindo de Fortaleza fosse fazer junção na  Estrada de Ferro de Sobral, na cidade do mesmo nome.

O início das obras ferroviárias com destino à Soure, teve início em 1916 quando foi aproveitada uma ponta de linha existente no Morro do moinho(Onde saía o ramal da Alfândega pela beira da antiga praia Formosa). A linha teve o seguinte trajeto: saindo do pátio da estação central cortou a rua Tomaz Pompeu (Atual Filomeno Gomes); Em seguida transpassou a ponte sobre o riacho Jacarecanga, penetrando nos bairros Paiol da Pólvora, Floresta, Monte-picú (Presidente Kennedy), Cachoeirinha (Pe. Andrade), Barro vermelho (Antonio bezerra) e, por não poder prosseguir em tangente rumo ao Oeste devido ao território dos índios tapebas e a grande lagoa do Tabapuá, a via férrea teve de fazer um grande contorno na localidade de Jurema. Foi graças a essas impossibilidades de 1916 que, posteriormente os Conjuntos habitacionais de São Miguel, Ceará e o Araturi foram beneficiados pelo trem.

O trecho Fortaleza Soure foi concluído aos 12 de outubro de 1917, quando foram inauguradas as estações de Barro Vermelho (Antonio Bezerra) e Soure em duas a apoteóticas solenidades presididas pelos Engenheiros Henrique Eduardo Couto Fernandes (Diretor da Rede de Viação cearense) e Bernard Piquet Carneiro (Assistente). A linha prosseguiu em rumo ao Norte do Estado, porém só chegou na Cidade de Sobral em março de 1950.

O decreto estadual nº 1.114 de 20 de dezembro de 1943 mandou que, a Cidade de Soure passasse a se chamar “Caucaia”, restaurando assim o nome de seus primitivos habitantes.

Caucaia hoje é bem servida fazendo parte da Região Metropolitana de Fortaleza e, mesmo com sua estação ferroviária mutilada, o Metrô de Fortaleza está lá para abraçar seus usuários, com seus VLTs..

 

RADIO IRACEMA A EMISSORA DA ÌNDIA

RÁDIO IRACEMA

Praça José de Alencar

 Em 1 de agosto de 1945 foi constituída uma sociedade por José Barreto Parente, Flavio Barreto Parente, José Josino da Costa e mais 22 personalidades com o objetivo de criar uma emissora de rádio. A concretização ocorreu aos 9 de outubro de 1948, às 16. h, quando foi inaugurada pelos irmãos José e Flávio Barreto Parente a “Rádio Iracema de FortalezaZYR-7, cujo estúdio passou a funcionar no 2º andar do Edifício Vitória na Rua Guilherme Rocha, esquina com a Rua Barão do Rio Branco, no centro de Fortaleza em uma sala outrora ocupada pelo Partido Comunista do Brasil. Na entrada existia uma larga e bonita escada de degraus e corrimão com balaustres de madeira. O espetáculo inaugural realizado na Praça José de Alencar contou com apresentação de César de Alencar, cearense mas que atuava na Rádio Nacional do Rio de Janeiro, e fizeram-se presentes: Luiz Gonzaga “O Rei do Baião”, Heleninha Costa, Ruy Rey e sua orquestra, dentre outros.   

Edifício Vitória

A Estação Transmissora com equipamento da S/A Phillips do Brasil passou a irradiar das dunas do Bairro Urubu que, com a urbanização futura, se denominaria Rua Alberto de Oliveira nº. 140, no Jardim Petrópolis (atual Colônia). Tinha 10 KW de potência e uma torre de 82 metros, num terreno que ao lado passava o ramal ferroviário da Barra do Ceará.  José Josino Costa foi o locutor da abertura, e nos transmissores segurando a modulação o Sr. Osmar Castro.

A Iracema fez ponte com os cantores da Rádio Tupy, com “Astros” e “Estrelas” da Rádio Nacional do Rio de Janeiro. Devido o “Roof-Garden”, ou seja, um auditório de Cem cadeiras ao ar livre, no terrace (Terraço) do Edifício Vitória, a emissora da índia recebeu o slogan de “A mais popular”. O palco era coberto, porém a plateia ficando a céu aberto, inclusive com mesas onde os frequentadores assistiam aos “Shows” tomando wisky, cerveja, refrigerantes etc. Era chamada a “Turma da Caixa d’água” os que ocupavam a caixa d’água do prédio.

Novo Estúdio na Rua Bárbara de Alencar

 

Nos primeiros tempos o “Cast” era: Paulo Lopes Filho, Peixoto Alencar, Antonio de Almeida: No departamento esportivo Barbosa Filho e discotecário Hirano Meireles.

Em março de 1949 Armando Vasconcelos foi contratado, e fundou o departamento de jornais falados e reportagens bem com o “Grande Jornal Sonoro Iracema”. Armando era o seu redator e locutor. Esses jornalísticos foram consolidados devidos sua experiência, haja vista, Armando na época trabalhar no jornal “O Estado”. A parte de entretenimento ficou com Irapuan Lima que em estilo Chacrinha, animava as platéias com o programa “Rádio-Baile” nas Noites de sábados, e a “Garotada se Diverte”. O sonoplasta fazia efeitos, o que confundia os ouvintes que imaginavam tratar-se da retransmissão de uma animada festa de clube.

Em 1951 foi criado a Rede Iracemista pelos irmãos Parentes, e assim sendo aos 15 de novembro do mesmo 51 surgiu a Rádio Iracema de Juazeiro do Norte e um ano e sete dias após (22/11/52) apareceu a Iracema de Sobral, seguindo-se a de Iguatú. A Iracema de Maranguape seria inaugurada aos 15 de agosto de 1959, com os transmissores instalados no distrito de Taquara. Ainda no mesmo 1952, José Josino Costa foi substituído por José Pessoa de Araújo, de quem saiu o projeto do Edifício Guarany, na Praça José de Alencar em local privilegiado.

Eduardo Fernandes e o Fim de Semana na Taba

(Comandou de 1958 a 1962)

A pedra fundamental do edifício próprio da Rádio Iracema, fora lançada em 10 de dezembro de 1952 na Rua 24 de maio nº. 554 (Praça José de Alencar), contando o evento com as presenças de Raul Barbosa (Governador do Ceará), Paulo Cabral de Araújo (Radialista e Prefeito de Fortaleza), Henrique de La Roque (Presidente do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Comerciários – IAPC) e de José Barreto Parente (Diretor da Emissora).  O IAPC foi o financiador deste novo empreendimento.

Na data precisa de seis anos de fundação (9-10-1954) a emissora recebeu de presente o majestoso “Edifício Guarany” com seus três andares e no subsolo um restaurante. No primeiro andar além da recepção, tinha o escritório de publicidade do locutor Irapuan Lima; No segundo andar a sala da direção artística e a discoteca; No terceiro era o auditório e o estúdio.

José Parente Diretor-presidente da Rede Iracemista, lançou nas mãos de Armando Vasconcelos para inaugurar no atapetado auditório, o programa “Fim de Semana na Taba”, cuja primeira audição foi ao ar no dia da proclamação da República de 1954. Esse semanário era apresentado todos os domingos das 20 às 23 h, com auditório lotado e os homens em traje de passeio completo. Era cognominado “Programa Milionário do Rádio Cearense”, ou “Programa da Elite”. Distribuía prêmios de valor em suas muitas promoções e concursos. Eram até mesmo sorteadas viagens aéreas para Paris (França).

No concurso Miss Ceará, que nos anos 50 era uma promoção dos Diários Associados, a miss eleita comparecia ao “Fim de Semana” no programa seguinte à sua eleição.

Em 1958, o time do Bota Fogo do Rio, após o Brasil conquistar o primeiro campeonato mundial de Futebol, veio jogar aqui em Fortaleza com o Usina ceará (Dia 29 de Junho, placar 3×1 pro Bota), e toda delegação alvinegra carioca, fora recebida com aplausos os mais efusivos, no auditório da ZYR7, dentre eles os campeões Newton Santos, Garrincha, Didi e Zagalo.

O “Fim de Semana na Taba” que esteve sob o comando do animador Armando Vasconcelos de 1954/1958; foi passado as mãos de Eduardo Fernandes (Dudu), o qual por sua vez em 1963 transferiu para o cantor e radialista José Lisboa. Os cantores que abrilhantaram os microfones do FST, dentre tantos se destacaram: Zuila Aquiles com textos de Carlos D’álge, Vera Lucia, Salete Dias, Lúcia Elizabeth, Ayla Maria, Ivanilde Rodrigues, Celina Maria, Terezinha Nogueira, e o Solteiro. As grandes locutoras “Lady-speacker” foram Neide Maia, Orlys Vasconcelos, que compunha a parte comercial. Posteriormente veio Arleni Portelada com  todo carinho apresentando o “Iracema Mulher”, com patrocínio de Matuskela, de Sandrinha Calixto. Romantismo puro.

Os locutores dessa fase de ouro eram: Mattos Dourado, Eduardo Fernandes, Tarcísio Tavares, Edmundo Vitoriano (Assombração), Alan Neto, Haroldo Serra, José Lisboa, Terezinha de Jesus que também era do “Cast”.

A Rádio Iracema até fez transmissões em tempo real com repórteres a bordo de aeronaves, como exemplo, a vinda de Raul Barbosa vindo do Rio de Janeiro para assumir o governo do Ceará e Ademar de Barros em campanha presidencial, transmitindo a Iracema “in loco” a primeira entrevista ao presidenciável.  A outra foi a volta triunfal do Rio de Janeiro de Emilia Correia Lima, com o título de Miss Brasil 1955.

A crônica “Doa a quem doer” que começou com Armando Vasconcelos, passando para Robson Xavier. Essa narrativa passou mais de quinze anos no ar, e quando foi encerrada em 1972, estava na voz de Nonato Albuquerque ao meio dia. Era o grito de protestos dos que não tinham vez e voz. O programa de entrevistas chamava-se “O Direito de Defesa”. Outros programas dos anos 50 eram: “O Comprador de Melodias”, “Assembleia Protestativa”, “Álbum de Brasileiros Ilustres” (uma dramatização dos textos escritos por Waldery Uchoa).

A RIF na Praça José de Alencar marcou época neste local, tanto pela popular localização como, pela programação de estúdio, a exemplo da “Discoteca do Fã” com José Lisboa e os de auditório que ficaram até 1972. Com a televisão tomando espaço, e na euforia das cores, os programas de auditório pelo rádio, saíram do ar para entrar na história.

A Emissora da Índia tinha uma programação bem eclética chegando várias vezes em primeiro lugar na audiência. Ao sair do Edifício Guarany no dia 16 de fevereiro de 1972, o estúdio da Rádio Iracema foi instalado no 12º andar do edifício Senador, localizado na Rua Senador Pompeu nº. 1087 (centro), e foram apagados os programas de auditório. Posteriormente o estúdio foi para a Avenida Barão de Studart nº. 1864; depois Rua Bárbara de Alencar ambos na Aldeota. A estação transmissora saiu do Bairro da Colônia em 1983, e foi montada na rodovia CE 004 km 06 (Estrada de Fortaleza – Maranguape), e parou de transmitir em ondas tropicais popularmente chamadas de ondas intermediárias.

Após a saída da Rádio Iracema do Edifício Guarany (belo cartão postal) o mesmo ficou sem serventia.  Considerado pelos “modernistas” como “monstrengo”, após a Prefeitura Municipal de Fortaleza ter comprado o espaço visando unificar a priori as Praças José de Alencar com a da Lagoinha, o mesmo desapareceu. Em seu local é erguido o Shopping do Camelô popularmente conhecido como “Beco da Poeira”, nomenclatura herdada de um beco não urbanizado que ligava promiscuamente a Rua 24 de maio com a Avenida Tristão Gonçalves, porém com as obras da Estação Ferroviária do Metrô de Fortaleza, referido Shopping desapareceu.

A Rádio Iracema de Fortaleza, que já pertenceu ao ex-governador Adauto Bezerra, hoje é integrada ao Grupo do Empresarial Etevaldo Nogueira. Seu estúdio se encontra na Avenida Santos Dumont nº. 1687, e opera somente com ondas médias na mesma frequência de 1.300 kHz com o prefixo de ZYH 586. Os seus horários passaram anos arrendados à Igreja Pentecostal Deus é Amor.

Hoje com o projeto de migração de FM, não sei como está essa emissora querida.

 

PROGRAMAÇÃO DA IRACEMA EM 1972

(Ultimo Ano no Edifício Guarany)

 

05.00 às 06.20 h: Alvorada Musical (Rodrigo Neto);

06.20 às 06.30 h: Eternidade em Minutos (Pastor Ely Theodoro Batista);

06.30 às 08.00 h: A Bronca é livre (Allan Neto);

08.00 às 09.00 h: Discoteca do Fã 1ª audição (Jalmir Monteiro);

09.00 às 10.00 h: Show da CBS (………………….);

10.00 às 11.00 h: Manhã Musical (Carlos Branco);

11.00 às 11.15 h: Mistérios da Vida (Dr. Kardo Allikan);

11.15 às 12.00 h: Parada de Sucessos Odeon (Nonato Albuquerque e Ferrerinha);

12.00 às 12.05 h: Crônica Doa a Quem Doer (Nonato Albuquerque);

12.05 às 14.00 h: Festival de Orquestras (Nonato Albuquerque);

14.00 às 15.00 h: Discoteca do Fã 2ª Edição (Jalmir Monteiro);

15.00 às 16.00 h: Som Jovem 40 Graus (Carlos Branco);

16.00 às 18.00 h: Show dos Populares e Repórter Guarany (Nonato Albuquerque);

18.00 às 19.00 h: Superlativo Programa do Allan (Allan Neto);

19.00 às 20.00 h: A Voz do Brasil;

20.00 às 22.00 h: A Hora é de Som (Edson Silva);

22.00 às 24.00 h; (………………………………);

Obs. José Lisboa pouco antes de ir para a Rádio Assunção apresentar a Discoteca do Lisboa, comandou por muitos anos a Discoteca do Fã e o programa de auditório “Fim de Semana na Taba”.

Sonoplastas: José Dias Barbosa (soneca), Antônio Chaves de Assis, Francisco José de Almeida e o Geraldo Ceguim.

Direção Geral: Robinson Xavier, que depois fora substituído por Geraldo Fontenelle, onde havia feito profícua administração na Rádio Assunção Cearense.

 

Informações técnicas:

  1. a) Transmissores: Principal:S/A Phillips do Brasil, modelo HOZ 20124/61

Potência: 10 kw, código 1177/67

Auxiliar: S/A Phillips do Brasil, modelo 2147/B

Potência: 1 kw, código 0457/81

  1. b) 1 torre de 82 metros.

Tipo: Onidirecional (antiga monopolo vertical)

Sistema de terra: 120 radiais de 57,6 metros espaçadas de 3 em 3 graus;

  1. c) Coordenadas: 03º, 49’, 10” Sul

38º, 36’, 40” Oeste

ENERGIA ELÉTRICA DO CEARÁ

A ENERGIA ELÉTRICA 

 

Tudo o que é relacionado ao desenvolvimento, obedece a etapas e/ou estágios. Ao retornarmos ao passado, não implica em se sofrer atrasos, mas estamos resgatando merecimentos, afinal, o moderno hoje é o antigo amanhã. O moderno carro de injeção eletrônica não chegou antes daqueles, cuja partida era à manivela com carburação falha; o compacto celular em que localizamos as pessoas apenas no tempo, não podia chegar primeiro do que os aparelhos de telefonia à magneto, com sua extensão entre emissor e receptor não superior a 1000 metros; as aeronaves, os super-sônicos dar uma volta ao mundo em questão de horas, porém, Alberto Santos Dumont penou bastante para fazer subir o 14 BIS em 1906 na França.

Será que a iluminação e energia elétrica fora algo diferenciado? Fortaleza quando no dizer do poeta Otacílio Azevedo “Ainda Descalça”, foi saindo da escuridão a custa do sacrifício de fauna marinha, hoje na lista de extinção. As baleias desapareceram da Costa Norte brasileira, pois, a iluminação pública da Fortaleza Provinciana, tinha como combustível, o azeite de peixe, cujos estudos datam de 25 de janeiro de 1834, mas que só foram concretizados em março de 1848, quando já era Presidente da Província Cearense, o Dr. Casimiro José de Moraes Sarmento, o construtor do primeiro cemitério da cidade.

Usina de Usina

A exploração do serviço de iluminação de Fortaleza teve inicio, segundo o historiador João Nogueira, com a assinatura de um contrato com o Português Sr. Vitoriano Augusto Borges que tinha como atribuição, instalar lampiões em numero de  44. Essa luminária tinham quatro faces, sendo mais estreitas em baixo do que em cima, com fundo e tampa de metal. Eram suspensos com armações de ferro como se fosse uma forca, afixados nas esquinas e na posição que pudessem iluminar ruas e travessas. Eram limpos constantemente, e para acendê-los deveriam descer por isso eles pendiam de uma corda, que passava em duas roldanas. Tinha uma caixinha cheia de azeite de peixe com torcida de algodão. Era parecido com pequenos tachos de que trabalham os ourives para soldas à maçarico.

Gasômetro

Foi assim que surgiu o primeiro personagem popular de Fortaleza: “Chico Lampião”. Fortaleza bonitinha ficou sendo iluminada com azeite de Peixe até 1866 quando caducado o contrato com o Sr. Vitorino.

A tecnologia quando quer avançar não respeita era. Teria que surgir melhorias, e assim veio o Gás Carbônico sob a responsabilidade da “The Ceará Gaz Company Limited”.

Com o gás carbônico, as ruas de nossa cidade tiveram melhor qualidade na iluminação. Colocadas em ziguezague as luminárias obedeciam a uma distancia de apenas 30 metros uma da outra, e com uma altura de 2,40 metros. Ficava uma chama brilhante em forma de leque queimando o bem preparado gás, salientando que, o gasômetro ficava na Rua Senador Jaguaribe, ao lado da Santa Casa de Misericórdia olhando para a Praça do Passeio Público. Daí o antigo nome dessa rua ser “Rua do Gasômetro”.  A logística sempre transpassa o que quer ficar parado. O gasômetro já não atendia a demanda.

Entra em cena na extensão de seus serviços, a firma inglesa The Ceará Tramway Light & Power Co. Ltd”, que explorava o transporte de bondes elétricos desde 1913, ganhando privilégio agora para o serviço de iluminação. A localização dos geradores da Light era na Rua Adolfo Caminha (Baixos do Passeio Público) e as suas caldeiras eram alimentadas com lenhas vindas do Horto Florestal de Canafístula (Antônio Diogo – distrito de Aracoiaba) trazidas em vagões gôndolas pertencentes a Companhia Cearense da Via Férrea de Baturité. Em 25 de outubro de 1935, portanto, foi retirado o último lampião à gás encerrando assim, o segundo período da iluminação de Fortaleza, a era do Gás Carbônico.

Experimentalmente, em 1933 foram colocadas quatro lâmpadas elétricas de 100 Watts na Rua Formosa (Barão do Rio Branco), entre as ruas Guilherme Rocha e Senador Alencar. Assim em 1934, fora rescindido o contrato da “Ceará Gás” e o Governo do Estado do Ceará sob a interventoria de Filipe Moreira Lima, nesse mesmo ano oficialmente, inaugurou-se na praça do Ferreira a energia elétrica. Aquele 8 de dezembro foi apoteótico.

Aos 19 de maio de 1947 circulou o último bonde elétrico em Fortaleza e, apesar da sobra de demanda, a energia da Light ainda era muito precária. A “The Ceará Tramway” por força do decreto Federal nº 25.232 de 15 de julho de 1948, é transferida para a Prefeitura Municipal de Fortaleza, sendo o Prefeito Acrisio Moreira da Rocha.

Usina Serviluz

Aos 20 de maio de 1954, saiu o decreto nº 803 criando o “Serviço de Luz e Força do Município de Fortaleza – SERVILUZ” quando ainda era prefeito, o radialista e advogado Paulo Cabral de Araújo. As novas instalações foram inauguradas em 8 de novembro do mesmo 54, ocupando o local onde funcionava o Escritório da extinta empresa de Bondes no Passeio Público, pela rua João Moreira. A Usina Termoelétrica fora instalada em maio de 1955 na Ponta do Mucuripe, inicio da Praia Mansa. Com modernos geradores Westinghouse, o Serviluz fora criado para resolver o problema da precária energia elétrica de Fortaleza.

As razões técnicas para a usina ficar distante do centro da cidade, segundo analistas da época, deveram-se a estratégica zona portuária com o surgimento de empreendimentos, tais como os já existentes: Shell Mex, Esso Standart do Brasil e moinhos de trigo. Além do mais, o equipamento roncava e aquecia demais e a ventilação praiana, favorecia a regulagem térmica.

O Serviluz é administrativamente transferido em 1 de maio de 1960 para a Companhia Hidroelétrica do São Francisco – CHESF (Estado da Bahia), a qual por sua vez, em 1 de abril de 1962 instala a Companhia Nordeste de Eletrificação de Fortaleza – CONEFOR que substituiu o Serviluz. Dois anos após, a rede elétrica proveniente da Usina Hidroelétrica de Paulo Afonso chegou a Fortaleza, com uma subestação em Mondubim.

Aí com as presenças do Presidente da República, Marechal Humberto de Alencar Castelo Branco, do Governador do Ceará Virgílio Távora, do Prefeito de Fortaleza Murilo Borges e várias autoridades, em 1 de fevereiro de 1965 precisamente às 18.30 h, na Praça Libertadores, bairro Otávio Bonfim, era acessa a primeira lâmpada de iluminação pública com energia elétrica da CHESF.

Em 5 de julho de 1971, o Governo César Cal’s cria a Companhia de Eletricidade do Ceará – COELCE e encampa a Conefor, que após três anos em assembléia geral a extingue.

Como não era de se esperar, a história se repetiu. O comando do serviço de energia elétrica do Ceará saiu das mãos do Governo Estadual. A Coelce foi vendida, e aos 13 de maio de 1998 passou a pertencer a “Distriluz Energia Elétrica S.A.”, “Companhias Enersis S.A.”, “Chilectra S.A.”, “Endesa de España S.A.” e a “Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro – CERJ”.

Hoje a concessionária é a Enel.

 

 

 

 

 

 

ARACOIABA ANTIGA VILA CANOA

Aracoiaba Antiga Vila Canoa

 

 Onde existe água há vida e, assim em 1735 foi concedida ao Sr. Pedro da Rocha Maciel uma sesmaria contendo três léguas de frente e uma de fundo, às margens do Riacho Aracoyaba. (do tupi Ará=colher frutos +coy de incoen= banana + Aba= Em que, cuja tradução do termo indígena diz: “Lugar em que se colhe banana”).

Com a colonização dessas terras, houve prosperidade e, assim foi havendo atrativos para a migração de moradores de outros redutos. Em Aracoiaba, cujo nome primitivo era Canoa, tinha grande movimentação de transporte fluvial no Ceará, do Brasil colônia pelo famoso rio Aracoiaba. Havia intensa negociações com várias mercadorias tais como algodão, banana, arroz, cana de açúcar, milho, feijão, além da pecuária com rebanhos bovinos, suínos e aves.

Por conta da evolução do local, aos 18 de setembro de 1871 ocorreu a criação do seu primeiro distrito policial. Com a chegada da Estrada de Ferro de Baturité em Canoa cuja inauguração da estação ocorrera aos 14 de março de 1880, a exportação das mercadorias para Fortaleza se intensificou, aquecendo a economia. Para se ter uma idéia da localização estratégica de Aracoiaba (latitude 4°,22°,16 / longitude 38°,48°,51°) a linha férrea ao chegar em Canoa deveria seguir para a cidade de Baturité (sede do Município), por um ramal cuja autorização para construção data de 24 de setembro de 1879. A linha tronco saindo de Canoa deveria seguir para Riachão (Capistrano de Abreu), porém as pressões políticas da época fizeram a linha tronco passar por Baturité descartando, portanto a construção do ramal. Foi somente a partir de 1888 que a linha em construção seguiu na direção Riachão-Quixadá.

A elevação da povoação de Canoa à categoria de Vila, deveu-se por força do decreto nº 44 de 16 de agosto de 1890, quando oficialmente o local passou a se chamar “Aracoyaba” ocorrendo sua instalação na festa da proclamação da independência, no mesmo 1890. O Título de Cidade, como indicativo da total emancipação adveio quando aos 20 de dezembro de 1938 foi assinado pelo interventor Menezes Pimentel, o decreto-lei nº 448, desmembrando o distrito Aracoiaba de Baturité.

O Município de Aracoiaba tem uma área de 628,1 Km², representando 0,97% do Estado do Ceará, tem altitude de 107,10 m acima do nível do mar, com excelentes recursos hídricos tais como o rio do mesmo nome, Riacho do padre, Carguva, Barrinha e o dos Cavalos. A pluviometria registra em média 947 mm de chuva/ano. A população segundo o censo de 1999, registrou 24.750 habitantes com densidade demográfica de 35,83 hab/km².

Com 73 Km de separação da Capital, Aracoiaba vai sempre crescendo com sua agropecuária, indústria e rede de escolas.

Apesar da grande colaboração que a ferrovia deu para o crescimento de Canoa,  Aracoiaba hoje agradece, tendo cedido gentilmente seu solo para a passagem dos trens da Companhia Ferroviária do Nordeste – CFN e Transnordestina Logística S/A.

A nova ferrovia Transnordestina por seu novo trajeto, não contempla Aracoiaba.