CENTENÁRIO DE UM PATRIARCA

 

Valdemar Alves de Lima

02 de dezembro de 1924 – 09 de abril de 1984

 

“A memória do justo é abençoada, mas o nome dos ímpios apodrecerá”

Provérbios 10.7

“Todos os que vivem de escrever ou pintar, ou musicar, ou de qualquer arte ou artesanato possuem sempre um determinado número de coisas começadas, esboçadas ou que deixaram para terminar um dia que nunca chega. Algumas dessas sinfonias inacabadas, encontradas em meio a velhos papeis, reproduzo aqui. ”

                                                                                    Emanuel Vão Gogo, escritor brasileiro.

 

# Foi-se o meu pai e irmão

 Obedecendo ao chamado de Deus;

Sabemos não foi adeus

Mas, uma breve separação.

Sei que muitos o amaram

E a certeza do Céu no além,

Faz a gente continuar também

Vivendo os anos que nos separam. #

                                                                                                       Do autor

 

 

O CONTEXTO QUE VAI DESCREVER ESTE RELATO

 VILA TELHA – IGUATU – E O SÍTIO PEIXE

Os registros antigos do local que se denominaria Iguatu, remota ao ano de 1707, onde foi registrado a palmilhação do padre João de Matos Serra, catequizando os Quixelôs, nativos daquelas terras. O aldeamento, que era conhecido como Venda, passaria a ser identificado pelo nome de Telha (oriundo da sua produção ceramista), em virtude da configuração convexa de suas terras, que convergiam para o rio Trussu.

Foi neste local que ocorrera lutas, mas, que prevaleceu um clima de paz e os Quixelôs pacificados em convivência com os colonizadores, fixaram sítios às margens do Jaguaribe, grande e navegável rio que cortava a região, dentre os quais o Sítio Peixe, que à posteriori iria pertencer ao Município de Jucás. Os colonizadores sendo conhecedores da fertilidade das terras da Telha, transferiram seus ranchos para o novo povoado, que já estava tomando aspecto de pequena vila. Com a denominação de Telha, o distrito foi criado pelo decreto lei n° 2.035 de 11 de outubro de 1831, um dos primeiros decretos assinados por Facundo de Castro Menezes (Major Facundo que leva nome de Rua no Centro de Fortaleza).

Elevado à categoria de Vila, a denominação de Telha pela lei provincial nº 558 de 27 de novembro de 1851, foi desmembrada de Icó juntamente com Jucás, que era sua Sede das duas Vilas.

A instalação da Vila Telha data de 23-01-1853, porém, a Vila de Jucás remonta ao ano de 1823, mas, sem autonomia administrativa.

Por ato provincial de 01 de setembro de 1865 é criado o distrito de Bom Jesus do Quixelô e anexado à Telha, cuja a condição de cidade deveu-se pela lei provincial nº 1612, de 21 de agosto de 1874.

Finalmente, pela lei provincial nº 2035 de 20 de outubro de 1883, o município de Telha passou a denominar-se Iguatu

Iguatu estava no trajeto dos Trilhos da Estrada de Ferro de Baturité, depois Rede de Viação Cearense – RVC, Rede Ferroviária Federal S/A – RFFSA. Nossa ferrovia cearense contemplaria esta Cidade que era riquíssima em algodão, Calcário, pecuária dentre outras exportações. O primeiro trem oficialmente chegou no Iguatu em 5 de novembro de 1910, sendo no km 416,298, e com 215,660 metros acima do nível do mar.

Várias cidades vizinhas passaram a serem atendidas pelo trem.

 

Corria o ano de 1915.

O Ceará ainda de ressaca das turbulências da Sedição de Juazeiro e, traumatizado com os rumores da primeira grande guerra, agora amarga uma assoladora seca. Em toda extensão do território cearense campeou a miséria infrene, e o abutre da fome que assaltou os lares com garras afiadas, produziu miséria, mecheu na autoestima dos infelizes retirantes, que emergiu dos mais diversos pontos da cidade de Iguatu. Nas praças, ruas e em cercados, foram cerca de 15.000 indigentes amontoados, formando um verdadeiro mar de cabeças humanas; A caridade particular se esgotou; a varíola em virtude da aglomeração de imigrantes, na falta absoluta de higiene não esperou, porém, graças às medidas enérgicas que se tomaram, isolaram-se os pestosos e aplicou-se a vacina com a valiosa cooperação do Benemérito Farmacêutico Rodolpho Theóphilo que, trabalhou gratuitamente na intenção de ser útil aos cearenses.

Iguatu, terra dos ancestrais do autor, a exemplo de Adil Mendonça que tem nome de Praça é seu tio-avô. É impressionante para todos os visitantes, por ser banhado pelo Rio Jaguaribe, um dos principais rios do Estado do Ceará. O mesmo guarda para você um banho de beleza natural.

Estação de Iguatú em seu aspecto original

 

O êxodo Rural

Apesar de grandes enchentes ocorridas no Vale do Sertão Central, duas grandes secas estavam por vir. As dos anos de 1932 e a de 1946, o que tornou a coisa insuportável para os moradores sertanejos que não tinham privilégios. Alguém teria que agir, e sem delongas tomar as cabíveis atitudes, para amenizar a situação.

O Brasil acabava de sair da “Ditatura Vargas” e de uma grande guerra e todas as atenções, principalmente a classe política que estava voltada para o Rio de Janeiro. Estava sendo elaborada uma nova Constituição e novas leis viriam para reger a Nação e como sempre os pobres em segundo plano, isto em caráter emergencial.

Valdemar de modo decisivo, aprontou os pertences pessoal, e resolutamente se dispôs a ir para a Capital. Sua célebre frase seria evocada por gerações futuras: “Existe diversas maneiras de morrer, mas não de fome, o mundo tem vida”.

Naquele difícil ano (1946) fora uma febre, o povo do sofrido interior vir para Fortaleza, e haja carroças para o transporte de retirantes da zona rural para a Estação de Iguatu. Na carroçável e estreita via de acesso do “Sitio Peixe” para alcançar o único transporte de massa do sertão era o Iguatu, local mais próximo (apesar do trem já ter chegado em Crato). Relatado por Valdemar “era muito o gado morto e o causticante sol já havia secado várias lagoas”.

A visão que se tinha era de muito mato seco.

Por fim, ele chegou na estação ferroviária com sua pequena bagagem e entre os pertences um bilhete mal redigido para um conterrâneo chamado de Irineu, que trabalhava no Cartório Pontes, na Rua Major Facundo próximo à Praça do Ferreira.

Alguns viajavam por querer seus filhos estudando e/ou procurando melhorias, outros por plena subsistência e dos seus, como é o caso deste relato.

Foi grande a afluência de passageiros; houve lágrimas, abraços apertados e todos se dirigiam aos seus assentos. O trem tinha apenas cinco minutos de espera.

Após o minúsculo período, o sino bateu, a locomotiva silvou e começando os engates a se esticar, e lá se foi a composição da Rede de Viação Cearense – RVC, pegando velocidade e assim o comboio cortou de mato a dentro e desapareceu no horizonte.

Composição da Rede de Viação Cearense – 1946

 

Com seu bilhete de segunda classe, carro desconfortável e tinha que ser assim passar da 7 da manhã até 21h horas, quando o chefe do trem avisou aos fadigados passageiros a aproximação da “Cidade Grande”.

O tem chegou.

Um pouco desorientado eles, bem como outros, passaram a noite nos rústicos bancos da Praça da Estação. Como não chovia, não havia com que se preocupar, apenas a saudade dos familiares a quem deixara distante naquele escasso sítio. O dia ia quebrando a barreira, a lua que passou a noite brincando com as estrelas, cessara da espetacular apresentação. Lá vem o horizonte ficando alaranjado, e o sol nascendo. Assim viu pela primeira vez o sol nascendo longe do torrão natal.

Foi espantoso ver carros, bondes principalmente na Praça do Ferreira. Existia três prédios no Centro de Fortaleza na época: Edifício Diogo, Majestic e o Excelsior Hotel.

A movimentação foi muito intensa, e funcionou como uma parafernália para quem era acostumado no silêncio do Sitio Peixe, em que se ouvia o vento assobiando e o estalar das folhas secas, e o rugir de algum animal perdido, por entre as frondosas matas.

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  Esse foi o matuto que chegou

Os rádios em cantoneiras e valvulados, sintonizavam a única emissora existente, cuja irradiação vinha do Edifício Diogo (edifício azul) na Rua Barão do Rio Branco. Era a PRE9.

Achando o Cartório Pontes, encontro o conterrâneo o qual ofereceu pousada por o período em que retirava seus documentos. Senhor Irineu morava no Bairro Campo da Aviação, depois Cocorote que é a Serrinha tal como a conhecemos.

Documentado, o mesmo devido seu grau de instrução, fora trabalhar como servente de pedreiro na construção da segunda etapa da Vila Operária da Fábrica São José, de propriedade do Coronel Pedro Philomeno Ferreira Gomes.

Foi com aquele serviço, que humildemente solicitou ao Coronel uma casa para trazer seus familiares do Interior.

Assim o fez e na Vila São José se alimentava e dormia em meio as construções, até que chegou sua irmã Maria de Lourdes e serenamente foi chegando um a um, até que sua alegria se consumou com a chegada do último.

João seu irmão logo após chegar na Vila ocorreu problema conjugal e foi ser morador na Fazenda Guarany em Pacajus, e o Francisco (tio Chico) não quis sair do interior, ficando nas Queimadas distrito de Iguatu. Benedito, o caçula do primeiro matrimônio de minha avó foi para o Rio de Janeiro, carregado por uma gaúcha que conheceu.

Assim ficaram Raimundo, Elisa, Lourdes e Terezinha junto com o Nonato (o galã). Mário o caçula de todos foi para o Rio de janeiro morar em Realengo, falecendo em 2023.

Esta ancestralidade toda já desapareceu, restando o novectário Benedito e o   octogenário Nonato de quem não temos notícias.

Foi nesta convivência da Vila São José que ele conheceu Nely Porfírio, oriunda da Serra da Meruoca, pertencente ainda ao Município de Sobral, e pasme o leitor após a conclusão da segunda etapa da construção da VSJ, quase todo operariado foi trabalhar na fábrica de tecidos e lá passaram a se conhecer melhor. Nely havia chegado com seu irmão Estanislau em 1945 e veio morar numa casa ainda hoje existente na Rua Maria Estela, mas que com a construção do Shopping Fashion fora invadido pela Rua Adriano Martins. (Conveniência comercial).

Matriz bastante danificada pelo correr do tempo. (IBGE).

Valdemar Alves de Lima e Nely Porfírio da Silva casaram no civil em 10 de setembro de 1947 (Nely Silva de Lima) e o religioso na igreja dos navegantes dez dias após, sendo ministrado pelo Padre Pio.

Os nubentes em recepção simples na Rua Maria Estela nº 45, foram morar seis casas após, baixos de uma casa que outrora servia como chafariz para atender a demanda das ruas existentes.

       Em 1950 ocorreu no início da gestão José Teixeira Mota, que era no dizer de muitos “O manda chuva da fábrica” uma demissão coletiva, aquele termo popular chamado de “Corte”, e o Valdemar fora no meio. Nely ainda continuou por um período.

Como ele sempre fazia à hora e nunca deixava acontecer, saiu em busca de serviço e se deparou com a Padaria Ideal, que era localizada na Praça da Lagoinha, e o destino sob a direção de Deus estava sendo traçado.  Era grande a clientela ilustre da padaria ideal, e os entregadores obtinha privilégio de indiretamente manter contato com a aristocracia fortalezense que fora convergida para o Jacarecanga desde 1910, quando o bairro tomou ar de Belle époque.

Em algum dia do ano de 1952, o Acrisio Moreira da Rocha (morador da Rua Monsenhor Dantas) perguntou se Valdemar estava disposto a ingressar nos quadros da Prefeitura Municipal de Fortaleza.

A prontidão foi de imediata.

Com recomendação e documentação em mãos, fora para o gabinete do Prefeito, na época Paulo Cabral de Araújo, e do Palácio Iracema na Praça dos Voluntários saiu sua portaria como “Fiscal de Abastecimento” e fora lotado no Matadouro Modelo, no Tauape, hoje Jardim América.

 

Acrisio Moreira da Rocha o indicou

e o Prefeito Paulo Cabral de Araújo o nomeou para PMF.

O Gabinete do Prefeito de Fortaleza em 1952 

era no Palacete Iracema na Praça dos Voluntários.

 

Inicialmente no serviço púbico foi no Matadouro Modelo.

 Matadouro Modelo que funcionou até 1959.

Depois seria criado o Frifort também extinto.

 

       Mercado Paula Pessoa

São Sebastião

 

 

Após passagem por o Mercado Central e do bairro Joaquim Távora O Prefeito Lucio Alcântara o localizou no Bairro Carlito Pamplona até que aos 28 de setembro de 1983 recebeu a merecida aposentadoria com proventos aditivado do seu cargo de confiança.

 

 

 

Tudo o que é bom dura pouco.

A começar pela aposentadoria que, prazerosamente só a recebeu por cinco meses quando aconteceu o inesperado.

Naquele 9 de abril de 1984 a família fora abalada, e a tristeza tamanha, encheu sua prole. Deus com seu amor infinito, sabedoria infalível e de poder Supremo, tirou-o de nossas mãos.

O aconchego paterno nos envolve numa empatia familiar e neste carismático clima, não percebemos que saímos da infância.

Olha lá o futuro à nossa frente, e quando menos se espera chegou, sem ao menos ter se preparado para viver. Quando pensamos eternizarmos o o agora, já é passado.

O tempo é um gigante que nos traga, deixando para trás farrapos das boas horas. Mesmo que, nossos pais cometam atos que culminem em insucessos e/ou decepções para nós eles serão sempre heróis.

Valdemar, meu, nosso pai herói.

 

Seu último registro fotográfico.

 

Valdemar Alves de Lima – Prole

 

Nely Silva de Lima – Esposa;

  • Francisca Francineth Lima dos Santos (Cara do sal);
  • Francisca Alseneneth Lima Andrade (Dedão no pé);
  • Francisca Marineth Alves de Lima (in-memorian);
  • Francisca Luzineth Alves de Lima (Dibanquinha);
  • Jussiê Alves de Lima (in-memorian);
  • Francisco Flávio de Lima (Feijão);
  • Francisco Olavo Silva de Lima (in-memorian);
  • Francisco de Assis Silva de Lima (Pirulito);
  • Francisca Elizabeth Lima Girão (Zambeta);
  • Mário Alves de Lima (Ferrolho de Igreja);
  • Francisco Paulo Cesar Silva de Lima (Japonês);
  • Francisca Ivoneth Alves de Lima (in-memorian);
  • Valdery Alves de Lima (in-memorian)
  • Francisco Charles Alves de Lima (Jumento);
  • Francisco Valdemar Silva de Lima (Patino);
  • Francisca Valdete Lima Carvalho (Pimpolha).

 

ALBUM FOTOGRÁFICO

Todos os registros é álbum de família

E pertencentes a coleção do Assis Lima

 

Casa aonde Valdemar viveu seus últimos dias e o autor nasceu. 

 

 

PALAVRAS FINAIS

 

Pronto.

A aventura pela vida de Valdemar Alves de Lima, para por aqui.

Não é o passeio por sua vida que chega ao fim. É o roteiro de peripécia definidas que se conclui.

Ainda existe muitas coisas para se contar, é só chegar na lembrança, então será revelada num próximo trabalho.

Lembro à sua prole, não cabe um ponto final. Falem do Valdemar se souber: a história vai agradecer e o autor também.

“Depois de concluído o livro e quando o relí já apurado na estampa, conheci que me tinham escapado senões que se devem corrigir… Se a obra tiver uma segunda edição, será escoimado destes e outros defeitos, que lhe descubram os entendidos”.

José de Alencar do Livro Iracema

Em carta ao Senador do Império Domingos Jaguaribe.

 

AUTOR

 

 Assis Lima, por muitos anos anotou num decrépito caderno já com páginas amarelando, sua vivência quando criança sempre acompanhando a vida deste guerreiro, ora contada. Talvez, nem a sua família tomara conhecimento de sua palmilhação por a terra que o viu nascer.

Suas privadas conversas com Elisa sua mãe, quer no tanger dos pintos ao pôr-do-sol no mato do muro da fábrica, ou no saborear do bolo minuto pela manhã fora conservada em segredos em que com o correr dos anos o momento chegaria, e chegou para findar sobriedade.

Será que ele foi um homem perfeito? Nunca se decepcionou na vida? Bem. Tamanha fora suas conquistas e vitórias, que estes detalhes não se contam.

Quem dera, se pudesse contar mais. …….

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

AVENIDA BEZERRA DE MENEZES

 

Avenida após o alargamento.

A saída Oeste de Fortaleza foi aberta pelo Presidente da Província do Ceará, Martiniano de Alencar em 1836. A via carroçável seguia em tangente até o rio Maranguapinho, e a partir de então fora denominada pelos nativos de Salgado. Quando a estrada chegou na Lagoa do Tabapuá, descobriram a “Reserva indígena Tapeba”.

Estrada do Salgado início do Soure

 

A atual Avenida Bezerra de Menezes era chamada de Estrada do Barro Vermelho, nome antigo do Bairro Antônio Bezerra. O escritor famoso e abolicionista adquiriu um sítio naquele local.

Linha do Alagadiço.

Parada defronte aonde está o North Shopping

 

Em Fortaleza havia sido implantado em 1913 os bondes elétricos pela The Ceará Tramway Light & Co. Ltd, e no local onde está o North Shopping, por detrás existia uma lagoa, e alagava o entorno. Só não era atingido a parte alta que, os colonizadores batizaram de Monte-picu (Av. Sargento Hermínio /Humberto Monte). Daí a nomenclatura Alagadiço, afinal São Gerado é a Igreja.

O bonde Alagadiço passou a atender toda a demanda daquela estrada ainda bem arborizada, e fazia seu posto final onde hoje é o Colégio Santa Isabel, ou seja fim da Avenida Bezerra de Menezes, início da Mr. Hull.

Praça do Barro Vermelho.

Chafariz e a Igreja

 

Referida estrada recebeu calçamento em 1940, mas seu alargamento foi em 1959, quando era Prefeito de Fortaleza, Cordeiro Neto. Foram surgindo casas, e empreendimentos os mais diversos.

O incremento fora selado na gestão Murilo Borges (1963-67) com a pavimentação asfáltica, e o Vicente Fialho numa parceria com o Governador Cesar Cal’s, tornou essa Avenida Turística quando ganhou obras artísticas, muralhas com pastilhas dentre outras.

Praça do Otávio Bonfim

“Cercado José Padre” início da Avenida. 

Os empreendimentos foram achando acolhidas, e diversas linhas de ônibus passaram a existir na proporção de ruas abertas e ligações com outros bairros. Linhas como Granja Paraiso, Campo do Pio, Vila dos Industriários, Sitio Ipanema…. Alguém se lembra? E os Ônibus elétricos da CTC?

Hoje é uma cidade cortada por ela mesma.

Fim da Bezerra de Menezes inicio Mr Hull.

 

A CAPELA DE ÁGUAS DAS MARACANÃS

 

 

Estrada carroçável que ligava a Estrada de Maranguape a Maracanaú

 

Documentos do século dezenove dão conta de que, existia o Pequeno Arraial da Pavuna na estrada de Pacatuba, vilarejo de Maranguape, e que pertencia a Antiga Missão de Paupina criada aos 6 de agosto de 1649, onde foram aldeados os índios Paupina e Parnamirim em Messejana. Os Pitaguarys ficavam na Sesmaria onde era habitada por estes índios do mesmo nome, hoje uma Fazenda na localidade de Santo Antônio.

Com a freguesia que havia sido criada em 15 de maio de 1759, o Conselho do Governo Provincial aos 13 de maio de 1833, transferiu sua sede para Maranguape e extinguiu a Vila de Messejana, anexando-a como distrito da Capital do Ceará.

A formação toponímica de Maracanaú provém do Tupi MARACANAHÚ de onde se extrai: Maracanãs (aves) + Hú (águas) = águas das maracanãs, ou lugar onde bebem as maracanãs. A grande lagoa das maracanãs era um dos importantes recursos hídricos, pois, o município de Maranguape foi banhado também pelos rios Gereraú, Pirapora e Gavião que descia a encosta oriental da serra de onde, formavam após passar pela cidade, os ricos canaviais. O rio Cocó foi formado pelos Pitaguarys e Genipabus.

 

Capela de Maracanaú em seu estado original. 1879.

 

Contextualizando

A Diocese do Ceará foi criada em 1853 por um decreto do Imperador Dom Pedro II. No ano seguinte, em 6 de junho de 1854, o Papa Pio IX expediu a Bula Pro animarum salute “Pela Salvação das Almas”, criando a Diocese nos trâmites da Igreja.

As dioceses só podiam ser criadas pelo Papa após o decreto imperial. A bula papal só foi oficializada em 1860, depois de sete anos de briga entre Vaticano e o Estado brasileiro. Desmembrada de Olinda, a Diocese era quase todo o território da Província do Ceará.

Civilmente, o Ceará já se havia emancipado da Província de Pernambuco desde 1799. Eclesiasticamente, até 1854, era apenas Vigararia Forânea da Diocese de Olinda.

O território da nova Diocese era quase o mesmo do atual Estado do Ceará. Faltavam na época apenas as paróquias de Crateús e Independência, que ainda eram ligadas a São Luís do Maranhão.

A população da Diocese do Ceará, era no tempo, calculada em 650.000 habitantes. A população era quase totalmente católica, pois o recenseamento de 1888 mostrava apenas cento e cinquenta protestantes e uma dúzia de judeus. A cidade de Fortaleza constava de cerca de 9.000 habitantes.

Nessa época havia na Diocese 34 paróquias e um curato. O número de igrejas era de 78 e o de capelas 11, em toda a província do Ceará.

Antes de ser diocese, o Bispo de Olinda, nomeava Visitadores Eclesiásticos para a Vigararia do Ceará. O primeiro desses visitadores foi Frei Félix Machado Freire (1735) e último foi Padre Antônio Pinto de Mendonça (1844 a 1881). O primeiro bispo da Diocese foi Dom Luis Antônio dos Santos.

 

Estação Ferroviária e a Capela. 1906.

Em 19 de março de 1874, foi solenemente inaugurada pelo bispo do Ceará, uma “Capela” no distrito de Maracanaú, aproveitando o período em que estava sendo catequizado os indígenas que lá viviam. Estiveram também presentes Tomaz Pompeu de Souza Brasil pela EFB, e Francisco Teixeira de Sá, paraibano que presidia a Província cearense.

 

Maracanaú em 1919.

 

“A propósito da subseção de Maracanaú, vem a pelo registrar a origem da capela dessa povoação obscura, mas de um bucolismo encantador e a que nos prende sentimentos de grata recordação. O pequenino templo foi construído por iniciativa dos engenheiros da Companhia Cearense, a cujos trabalhos consagravam suas horas de laser mediante subvenção do Governo da Província e auxílio da verba (socorros públicos) ”. (Transcrito sem SIC). Do livro “A Origem da Viação Férrea Cearense”, 1923, Octávio Memória Editora Minerva, página 27.

 

A edificação do pequeno templo teve projeto do Engenheiro Luiz Ribeiro responsável pela construção do trecho ferroviário Mondubim – Maracanaú, sob a coordenação do fluminense doutor José Privat que construiu a Capela. O mesmo era fiscal geral da Estrada de Ferro de Baturité. (O trem foi o responsável pelo incremento econômico/social daquela região).

 

Vista em dois sentidos da Capela

 

Maracanaú passou a ser distrito de Maranguape a partir de 1902, e a Capela passa a pertencer à jurisdição eclesiástica de Maranguape, até que, em 1952, ganha autonomia, sendo ligada à Fortaleza, quando era bispo de Fortaleza Dom Almeida Lustosa.

A Paróquia São José de Maracanaú (conhecida popularmente como Igreja Matriz de Maracanaú, ou apenas Matriz de Maracanaú) é um templo católico que coordena as atividades das demais igrejas e capelas do município. Localizada em frente à Praça Padre José Holanda do Vale (Praça da Estação), é a igreja mais antiga de Maracanaú.

 

Estação Ferroviária. 

Fontes:

– Arquivo Público do Estado Ceará;

– Arquidiocese de Fortaleza, entrevista com o diácono Ximenes Aragão, 2009;

– Memória, Octávio: A Origem da Viação Férrea do Ceará, Tipografia Minerva, 1923.

Fotografias: Domínio Público, Álbum do Justa, Álbum do Boris e Redes Sociais.

 

A ESTAÇÃO MUXURÉ HOMENAGEOU PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Estação de Muxuré com já o nome de Prudente de Moraes – 1911.

 

Muxuré do Tupy “Terra de Recreio de Gados”, fica no centro mais produtivo da então Vila de Quixeramobim, sertão central do Ceará.

A data da sesmaria é de 20 de agosto de 1823, e fora concedida pela junta do Governo provisório, ao Miguel José de Queiros, onde abrangeu uma légua com as fazendas Muxuré e São João, e está registrada às folhas 36 e 37 do livro 14 do registro das Sesmarias por Viana Paz. Referido documento está no Arquivo Público do Estado do Ceará.

Muxuré foi um distrito localizado no atual município de Quixeramobim, no Estado Ceará.  Ficou muito conhecido por sua rica história e cultura, a segunda cidade mais populosa do Sertão Central do Ceará.

 

Contexto histórico

“A Guerra de Canudos foi um dos principais conflitos que marcaram o período entre a queda da monarquia e a instalação do regime republicano no Brasil. Aconteceu de novembro de 1896 a outubro de 1897 no sertão da Bahia, em uma fazenda improdutiva ocupada por Antônio Conselheiro (natural de Muxuré) e seus mais de 20 mil seguidores.

Teve caráter messiânico, por conta das pregações do beato, mas envolvia a luta contra a fome, a miséria e a seca nordestina, região desassistida pelo governo federal, que passava, naquele momento, pela transição da monarquia para a república.”

A Guerra dos Canudos foi um movimento de resistência à opressão dos latifundiários comandada por Antônio Conselheiro, no sertão baiano, foi o problema mais grave do governo de Prudente de Moraes. Ocupou grande parte do seu governo, de 1896 a 1897.

Para dispersar o movimento de resistência no Arraial de Canudos, comandado por Antônio Conselheiro, o governo da Bahia enviou para a região três expedições militares, todas derrotadas.

O Presidente Prudente após uma licença, ordenou ao Ministro da Guerra, Marechal Bittencourt que se dirigisse para a Bahia e assumisse o controle das operações. Após intenso bombardeio de canhões o arraial não resistiu, sua população foi toda massacrada.

 

Por ser o primeiro presidente civil,

na minha opinião deu péssimo exemplo. 

 

Reverberando

“A Guerra de Canudos foi um confronto bélico entre o exército brasileiro e a comunidade liderada pelo religioso Antônio Conselheiro, em Canudos, interior da Bahia. O conflito aconteceu entre 7 de novembro de 1896 e 5 de outubro de 1897. O governo da época, presidente Prudente de Morais, por ser civil ainda no processo de transição para o regime republicano, considerou o movimento “rebelde” e assim enviou o exército para combatê-lo, matando mais de 20 mil pessoas e configurando um dos maiores massacres de nossa história.”

Antônio Conselheiro nasceu no Ceará, na localidade de Campo Maior em 1828, com o nome de batismo Antônio Vicente Mendes. Estudou português, francês e latim e assumiu os negócios da família depois da morte do pai, que era comerciante.

 

Agora sim….

A construção e prolongamento da Estrada de Ferro de Baturité, não obedecia a tangentes, mas sempre a coisa ficava sinuosa devido as vantagens que as terras iam oferecendo como oportunidades para o transporte. Muxuré, terra natal de Antônio Conselheiro que, ficava na Nova Vila do Campo Maior obteve o privilégio.

Por força da lei 770, de 14 de agosto de 1856, toda a localidade adquiriu foros de cidade, com a simples denominação de Quixeramobim.

Estação de Muxuré foi inaugurada em 14 de setembro de 1899, no Km 260,735 com 195,000 de altitude.

Na linha Sul Muxuré só iria perder no transporte de gado para Malhada Grande que viria à posteriori. (Agosto de 1916).

O relatório cuja narração da movimentada inauguração apoteótica da estação em epígrafe, fora destruído e seus dados irremediavelmente foram perdidos com fotos, no criminoso incêndio em 1915.

Em 1902 ocorreu a segunda greve dos ferroviários na República Federativa, efeito da desastrosa política econômica do Presidente Prudente de Moraes, e a Estrade Ferro de Baturité só não faliu, devido a habilidade de Bernard Piquet Carneiro.

Então, fora cogitado a que a Estação de Muxuré de denominasse Antônio Conselheiro, porém, aproveitaram o ano da morte de Prudente de Moraes (1902) e o Ministro da Industria, Viação e Obras Públicas Lauro Muller, atendeu a determinação do Presidente Campos Sales e mandou que a Estação se denominasse “Prudente de Moraes”.

Alfredo Novis diretor da EFB, temendo cassação do arrendamento nada pode fazer e assim, o nome do beato massacrado, fora de vez enterrado até na sua terra.

 

 

Adiantou tanta arrogância e não fazer justiça pela história?

 

Fonte:

Arquivo Público do Estado do Ceará;

Revista do Instituto do Ceará, 1887;

Relatório da EFB 1911 a 1915 (Mr Hull);

Hermida, Antônio José Borges: História do Brasil, Editora ática do Brasil, 1972.

 

 

 

 

 

 

 

VÁRZA DA CONCEIÇÃO, TERRA DO COCHILÃO

Contos de Ferroviário

 

Vista do pátio da Várzea

A alma ferroviária é revelada naqueles que labutam, enfrenta noites de frio, calor durante o dia, quer na chuva ou não. Evidentemente porque, tem a genuína consciência de que o passageiro não quer saber de nada disto e sim que seu trem siga ao destino.

Uma classe subalterna, porém, que sempre vai contar com apreço é o “Manobrador”, tendo em vista ser função de estreia da Rede Ferroviária Federal S/A . RFFSA.

 

“A RFFSA foi bela

Mas., nesta vida tudo se some

Ficando vivo o seu nome

Para quem gostou dela”

                             Do Assis Lima.

 

Na microrregião de Iguatu, Mesorregião Centro-Sul Cearense, existe um distrito pertencente ao Cedro, aonde os muitos devotos de Nossa Senhora da Conceição, que remota ao tempo das freguesias, e as muitas várzeas existentes, fizeram o nome do lugarejo “Várzea da Conceição”.  O autor destas linhas ainda era manobrador lotado em Arrojado, quando se fez necessário ir à Várzea da Conceição.

Movimento na estaçãozinha de Várzea

 

A bem da verdade o mesmo esteve por duas vezes. A outra vez foi em outubro de 2003 por ocasião dos festejos do dia do ferroviário em Cedro. Uma comitiva vinda de Fortaleza, estava em Cedro quando foi por rodovia esperar um trem que era composto por uma locomotiva GE-U5B-1961 500 HP, uma prancha lisa com equipamento da Rádio Montevidéu AM de Cedro e, a litorina que já não estava mais automotriz. Foi uma chegada simbólica do trem em Cedro, e pense na apoteose. Referido evento fora coordenado por Marcos Cabral. Hamilton Pereira, Moreny Lopes, Etevaldo Presidente da AFAC e tendo como anfitrião o Prefeito João Viana.

#Por que a Várzea ficou conhecida no seio ferroviário de “Terra do Cochilão”? Simples, o manobrador saia da pequena agência e ia para o AMV, para dá entrada nos trens, principalmente os de passageiros. O Trem chegava, partia e ele não via. Era um trabalhador já veterano, moreno e de corpo avantajado.#

Várzea da Conceição fora inaugurada aos 15 de agosto de 1916, no Km 448,754 com 224,000 de altitude.  A renda dos bilhetes de passageiros, ficava a cargo do Agente/telegrafista, mas as cargas eram faturadas em Malhada Grande.

Nota: o primeiro agente da Várzea foi Manuel Alves de Assiz Filho.

Quando o trem de passageiro linha sul fora erradicado naquele dezembro de 1988, os trens de cargas passaram a circular de Iguatú direto para Arrojado.

Bom, o Ceará como por natureza é moleque, tem dessas histórias. Conte a sua!!!

 

Fontes:

Arquivo Público do Estado,  Álbum de Mr Hull;

IBGE,1956;

Lima, Francisco de Assis Silva de : “Ceará Que Entrou nos Trilhos”, Gráfica Visual, 2015.

 

PRADO, CAMINHOS DO ONTEM

 

Aspecto primitivo da Avenida Visconde Cauhype

 

Exórdio

Em 1607, a antiga aldeia indígena Potyguara foi transformada num lugarejo fundado pelos jesuítas com o nome de Missão Porangaba, pois, naquele período teve início a evangelização das populações indígenas aonde, foi profícuo o ministério do padre Francisco Pinto, a quem os nativos chamavam Pai Pina ou Amanaiara, “O Senhor das Chuvas”.

Durante a passagem de Martins Soares Moreno pelo Siará Grande (1612-1631), o célebre índio Jacaúna (irmão de Camarão) que, havia fixado sua tribo nas margens da lagoa de Porangaba protegeu e bastante, a Martins Soares, pois, o tratou por filho. Jacaúna foi mais carismático do que os jesuítas, pois, os mesmos haviam dado uma parada em sua missão evangelizadora, reiniciando os trabalhos somente em 1694.

Quando Sebastião José de Carvalho e Melo (Marquês de Pombal) aos 14 de setembro de 1758, por Ordem Régia, extinguiu a Companhia de Jesus, os portugueses com uma cartilha do bispado de Coimbra, nomearam o povoado da lagoa: “Arronches”, porém, aos 25 de outubro de 1759 passou a se chamar Vila Nova Arronches, quando a mesma passou à categoria de Vila e Freguesia.

Com o advento da República, voltou ao nome da Sesmaria “Porangaba”.

 

Parangaba a antiga Vila Arronches

“(…) havia uma formosa lagoa no meio de verde campina. Para lá volvia a selvagem o ligeiro passo. Era a hora do banho da manhã; atirava-se à água e nadava com as garças brancas e as vermelhas jaçanãs. Os guerreiros pitiguaras que apareciam por aquelas paragens, chamavam essa lagoa Porangaba, ou lagoa da beleza, porque nela se banhava Iracema, a mais bela filha da raça Tupã. E desde esse tempo as mães vinham de longe mergulhar suas filhas nas águas da Porangaba, que tinha a virtude de dar formosura às virgens e fazê-las amadas pelos guerreiros (…) Só havia sol no bico da arara, quando os caçadores desceram de Pacatuba ao Tabuleiro. De longe viram Iracema, que viera esperá-los à margem de sua lagoa da Porangaba…”

(Do livro Iracema, José de Alencar, maio de 1865, Ediouro Publicações S/A pág. 51).

A formação toponímica de Parangaba vem de Porangaba, que significa em tupi-guarani “Lindeza” referindo-se a sua bela lagoa.

Visconde Cahuype no momento do cruzamento dos bondes Benfica e Prado

 

 

 O Boulevard do Cahuype 

O antigo Boulevard Visconde Cahuype, localizado no Sítio Benfica, foi o antigo, estreito e carroçável caminho do Arronches que se iniciava na Praça Pelotas e ia prosseguindo para a lagoa da Porangaba, antiga aldeia indígena, como já foi descrito. (Em 1945 trocaram o “o” pelo “a”, que descubram os entendidos em corruptela.

A abertura do caminho (restrita a animais de galope), remota ao Holandeses no Brasil Colônia objetivando chegar as serras e ao chegar em Mondoig (Mondubim), foram expulsos. Naquelas aventuras é que foram descobertas duas grandes riquezas hídricas, maravilhas da natureza: as lagoas da Parangaba e Maraponga.

Em 1836, o então Presidente da Província Cearense, Padre José Martiniano de Alencar (Senador Alencar) construiu a carroçável Estrada “Fortaleza – Baturité” com mão dupla e, depois relatórios deram conta de que em 1863, já existia tráfego comercial.

 

Ficaremos na Avenida Treze de maio

Os transportes eram de tração animal, mas, o primeiro transporte coletivo fora os Carris da Companhia Cearense.

A linha Prado, seguia a mesma do Benfica, iniciando-se no cruzamento da hoje Avenida 13 de maio, quando o bonde entrava a esquerda e fazia ponto final na esquina da Estrada da Pirocaia (Avenida dos Expedicionários). Na época o local era chamado de Cachorra Magra, aonde ficava o Prado, hoje IFCE.

Acredita-se que a linha fora criada para atender famílias importantes do entorno, como a “Gentil”, daí Gentilândia.  O cruzamento dos referidos bondes era no início da Avenida Visconde Cahuype (da Universidade). Ainda sem nomenclatura oficializada, a própria Gentilândia era servida pelos bondes elétricos da Ceará Light que faziam as linhas Prado e Benfica.

Casarão na esquina da Av. Treze de maio.

Separação dos bondes Benfica e Prado 

 

#A questão de nomes e demarcações de territórios na urbe, até hoje são temas argumentáveis, pois, existe linha de ônibus, praças, igrejas, ícones e demais referências que por sua importância ou força de tradição, demarca o nome do Bairro #. (Do livro Por onde o Bonde Passou, do autor).

Exemplos: São Gerardo é a Igreja, mas o nome do Bairro é alagadiço; Otávio Bonfim era a estação Ferroviária, mas o nome do Bairro é Farias Brito antigo Cercado Zé Padre; Soares Moreno era um bairro pequeno de três Ruas, Agapito dos Santos/Padre Mororó/Teresa Cristina/Cemitério sendo demarcado pelo Sul com a Avenida Francisco Sá. Hoje é Jacarecanga/Centro. Couto Fernandes é a estação ferroviária, mas o bairro é Damas.

Bem, o Benfica onde, a bem da geografia demarcatória, começa nas Caixas d’água ao lado do Instituto José Frota, hospital de atendimento emergencial de Fortaleza. Em rumo ao sertão pela Avenida da Universidade (antiga Visconde de Cahuype) vai até o canal do Jardim América, após ter penetrando na Avenida João Pessoa.

Não existe Bairro Prado e, a Gentilândia foi criado em 2009.

Antigamente, toda a área que hoje faz parte do bairro Gentilândia pertenceu ao bairro Benfica, mas, em 2009 como já descrevemos, foi desmembrada e virou um bairro independente

Toda aquela área do cruzamento da Avenida 13 de maio/Shopping era um grande sítio que pertencia ao abolicionista José Correia do Amaral, por isto a curva existente no percurso é chamada de “Curva do Amaral”, topografia esta sentida de quem vem pela Avenida Tristão Gonçalves, no sentido do sertão. Ao Prado houve favorecimento, a que fosse inaugurado em 1941 o Estádio Presidente Vargas, Praça, Escola Industrial e outros ginásios poliesportivos.

Matagal onde fora erigida a mansão da família Gentil.

Hoje Reitoria

 

 

 O primeiro concorrente do Bonde surgiu junto com o Estádio. A linha do coletivo rodoviário “Prado via Rio Branco” depois passaria para a Cialtra tinha o seguinte Trajeto: Praça do Ferreira, Guilherme Rocha, Rua Senador Pompeu e nela em tangente ia até a Treze de Maio. Circulava a Praça da Gentilândia e descia até o Riacho Tauape (canal do Jardim América) retornando pela Avenida dos Expedicionários; em seguido pegava a direita e descia em rumo ao Centro pela Rua Barão do Rio Branco até a Rua Liberato Barroso que, na época circulava carros. Retomava a Praça do Ferreira pela Rua Floriano Peixoto, ficando no ponto novamente na Praçinha, já que o abrigo Central ainda não tinha sido construído.

Prado, tudo começou no segundo quartel do século XIX, quando os senhores das terras começaram praticas esportivas com seus cavalos. Depois a modalidade fora exportada para um campo do Pici, vizinho da Parangaba bairro já tão descrito neste artigo.

.Mais ilustrações

Mansão da família Gentil

 

Inauguração do Campo do Prado – Estádio Presidente Vargas. 1941

Ônibus do Prado trafegando na Rua Senador Pompeu.1941.

 

Avenida Treze de maio após a retirada dos trilhos da Ceará Light Tramway

Atual IFCE

 

 

Vista aérea do Prado

 

Referências: Arquivo Público, Leocácio Ferreira, Arquivo Nirez, Marciano Lopes e Cepimar

PREDINHO QUE CONTA UMA GRANDE HISTÓRIA

Ensino mutuo – Pedagogia Lancaster

Canto Nordeste da Praça do Ferreira

No primeiro quartel do século XIX, Fortaleza estava obedecendo um plano diretor iniciado por Antônio José da Silva Paulet, sendo em 1814 Governador da Província, Ignácio Sampaio com total apoio dos arruadores, daí as ruas do Centro da Capital serem retas, planas e com simetria urbana.

O ano era 1827, quando o Imperador do Brasil D. Pedro I decretou a implantação do Ensino Mutuo, o que obrigava as Cidades e Vilas bem como locais mais populosos, a montarem as Escolas de Principais Letras, quantos fossem necessárias. Aos professores caberia ensinar, ler e escrever as quatro operações de aritmética, prática dos quebrados, decimais e proporções, noções de geometria, gramática da língua nacional, e os princípios da moral e de doutrina Católica Apostólica Romana. Tinha também na grade curricular aulas de economia doméstica.

O Ensino Mútuo representou um sistema de ensino em que os alunos comunicavam uns aos outros as lições recebidas dos mestres, obtendo-se um maior rendimento de aprendizado através do estímulo e da emulação, ou seja, concorrências.

Outrossim os alunos que obtinhas melhores notas (decurião), eram promovidos à monitores e/ou instrutores e deveriam ensinar a um grupo de dez alunos (decúria) ratificando que, o Ensino Mútuo representou naquela época, uma importação do método Pedagógico desenvolvido pelo inglês Joseph Lancaster (1778 – 1838) do final do século XVIII na Europa. Ficou conhecido também por método monitoral ou mútuo que diferiu da metodologia que fora introduzido, remontando ao ano de 1759.  

Em terreno arborizado que ficava por detrás de onde surgiria o Palácio da Luz, seria erguido a nossa EEM – Escola de Ensino Mutuo construída em Fortaleza na esquina das Ruas da Alegria (Coronel Bizerril) com a Travessa da Municipalidade (Guilherme Rocha), onde à posteriori fora estendido em 1863 alcançando a Rua Pitombeira (Floriano Peixoto). A única árvore que subsistiu ao desmatamento de toda aquela flora, foi um oitizeiro que seria derrubado em 1929 por ordem do Prefeito Álvaro Weyne.

Em Fortaleza no ano de 1828, a atual Praça do Ferreira era um Campo de Areia, onde eruditos acreditam ter sido campo de batalhas, razão pela qual de modo efêmero, o local fora chamado de Largo das Trincheiras.

A inauguração oficial da Escola data de 5 de fevereiro de 1829, sendo intendente José Pacheco de Medeiros que também construiu a edificação.

Com o advento da República o prédio fora entregue à Guarda Civil, e por conta das transformações urbanísticas, fora demolida dando lugar ao Palacete Ceará, Rotissérie e hoje está uma agência da Caixa Econômica Federal.  

 

Situação onde ficava a escola

 

Oitizeiro do Rosário sendo derrubado.

 

 

A COLUNA DA HORA O RELÓGIO DA CIDADE

 

Reclame da Clóvis Janja

administradora do serviço de construção

 

Coluna da hora, erguida fora na Praça do Ferreira, em estilo Art Déco, com projeto e construção da firma Byington Co. sob a reponsabilidade do engenheiro José Gonçalves da Justa, com supervisão da firma Clóvis Janja, já que no Ceará não existia ainda o CREA. Exatamente na passagem do ano de 1933, o prefeito Raimundo Girão inaugurou o relógio que iria orientar o horário do fortalezense.  Virou tradição na Capital cearense, acertar seu relógio com o da Praça.

Lamentavelmente em 1967, e sem nenhuma justificativa institucional, José Walter Barbosa Cavalcante mandou derrubar a “Coluna da Hora”, e fez uma reforma no logradouro ícone que, nunca foi aceita. Em 1991, Juraci Magalhães devolveu a Praça ao povo.

 

QUEM FOI PADRE ANDRADE

 

 

 

Francisco Juvêncio de Andrade Filho, nasceu em Sobral em 5 de março de 1922. Filho de Francisco Juvêncio de Andrade e de Ana Rodrigues de Andrade.

Andrade fora ordenado Sacerdote Lazarista aos 7 de setembro de 1947. O padre foi o reponsável por uma capela que atendia aos fiéis católicos da Comunidade denominada “Cachoeirinha”.

Referido sacerdote faleceu jovem, com apenas 28 anos de idade, devido acidente fatal ocorrido no açude Betsaida, Município de Forquilha vizinho ao de Sobral, sua terra natal.

Por seus relevantes serviços em Cachoeirinha e Seminário da Floresta e ao bem querer dos Fortalezenses, a Câmra de Fortaleza decretou e o Prefeito Paulo Cabral de Araujo sancionou a lei nº 321 de 16/05/1951 e assim o Bairro Cachoeirinha na data do DOM, denominou-se “Padre Andrade”.

ONIBUS ELETRICOS EM FORTALEZA

 

 

 

Ônibus elétricos no Terminal da Praça do Carmo

Linha Parangaba

 

Uma opção inovadora de condução movida através da eletricidade por rede aérea fora disponibilizada, aos usuários do transporte coletivo de Fortaleza. O ônibus elétrico, ou trólebus, foi ambicionado pela Prefeitura de Fortaleza, graças aos bons resultados obtidos pelo sistema em Recife.

A gestão do Prefeito Murilo Borges Moreira decidiu trazer a tecnologia para a Capital cearense, e assim transformar Fortaleza na segunda cidade no Norte Nordeste a possuir um sistema de ônibus elétricos.

Como a decisão de trazer os trólebus para Fortaleza já estava tomada, houve a necessidade de criar companhia para se responsabilizar pelas operações do novo sistema.  Assim, em 30 de setembro de 1964, a Companhia de Transporte Coletivo foi criada por força de lei municipal nº 2.729/64.

Em 1966, portanto, dois anos após e no mesmo mês de setembro, a CTC foi instalada, em solenidade que contou com diversas autoridades. Na data, a garagem na Avenida Jovita Feitosa foi inaugurada, onde abrigava a parte administrativa, operacional e manutenção.

Até o início das operações dos trólebus, em 1967, houve todo o processo de organização da CTC, com a compra do terreno na Avenida Jovita Feitosa e posterior construção da garagem. O período 1964-1967 também foi marcado por discussões sobre o futuro do sistema, licitações de compra dos equipamentos, e muita burocracia.

A Segunda linha era São Gerardo mas o Bairro é Alagadiço

 

O sistema previa a construção de seis “radiais”, que ligavam o Centro aos bairros Parangaba, Antônio Bezerra, Barra do Ceará, Mucuripe, Aldeota e Aerolândia, porém, durante as operações dos ônibus, apenas as duas primeiras linhas foram concretizadas.

Os três primeiros trólebus, da marca paulista Massari, desembarcaram em Fortaleza em janeiro de 1966, prontos para rodar, necessitando apenas da implantação da rede de eletricidade, que seria importada da Suíça.

Eles ficaram expostos por alguns dias “à curiosidade pública” na Praça da Sé, no Centro de Fortaleza (Abrigo Central) e fui levado por meu pai. Tinha 7 anos.

Pois bem, quando em operação os trólebus, deveriam seguir o itinerário da linha de Parangaba, descrito pelo Jornal O Povo em novembro de 1965: “Sairão da Praça do Carmo, onde será instalada a estação, percorrendo a Duque de Caxias, Tristão Gonçalves, Carapinima, 13 de maio, Visconde do Cauipe e avenida João Pessoa. De volta, percorrerão a avenida João Pessoa, Visconde do Cauipe, General Sampaio e Duque de Caxias, até a Praça do Carmo.” Cabe frisar que atualmente a citada Rua Visconde do Cauipe é chamada Avenida da Universidade.

Projeto e maquete do trólebus carroceria Massari

Apenas no ano de 1967, os ônibus elétricos de Fortaleza foram inaugurados. O grande atraso da inauguração foi causado principalmente por causa de alguns equipamentos das subestações, que eram trazidas de navio. A operação da nova tecnologia era cuidadosa, tanto que a CTC selecionava motoristas que atestavam que não possuíam nenhum vício, talvez por acreditar que os mesmos teriam mais responsabilidade na condução dos veículos.

Segundo os jornais da época, sete ônibus Massari foram testados e aprovados na linha Parangaba – Centro em janeiro de 1967. Era informado também que os referidos ônibus possuíam capacidade para 113 passageiros e carroceria de 12 metros de comprimento.

A inauguração oficial dos ônibus elétricos de Fortaleza ocorreu em Fevereiro de 1967, na Praça do Carmo e contou com autoridades civis, militares e eclesiásticas. O prefeito Murilo Borges viajou em um dos ônibus em direção à Parangaba.

Apesar do grande sucesso na inauguração e da aprovação da população, poucos meses depois já se especulava a possível venda dos elétricos para Recife, e em 1968, a prefeitura começou a manifestar oficialmente seu interesse na venda dos trólebus. As razões para o fim das atividades dos ônibus estavam no alto custo de manutenção e na baixa rentabilidade, já que os veículos só dispunham na época de apenas duas linhas e que tinham ponto final na Praça do Carmo, afinal a maior parte da população preferia descer na Praça José de Alencar.

As tentativas foram as mais diversas para salvar os ônibus, mas, como no projeto piloto a circulação das linhas Parangaba e São Gerardo na Praça José de Alencar estava inviável devido à forte concorrência, a ocorrência dos prejuízos continuavam. Foi cogitado até a conversão do propulsor para Diesel, mas não saiu dos planos.

Os ônibus elétricos resistiram até 1971, em condições um tanto precárias por causa da fragilidade do sistema de manutenção do equipamento, realizado pela CTC. Ficou decidido então, que eles seriam vendidos e substituídos por novos ônibus diesel, o que ocorreu em 1972.

Os trólebus foram enviados para a CMTC de São Paulo, sendo que os cinco primeiros, viajaram em 1971 e os outros quatro, em 1972, fechando o ciclo de um dos mais emblemáticos períodos do transporte coletivo de Fortaleza. O prefeito de Fortaleza já era Vicente Fialho.

O adeus aos ônibus elétricos. 

 

Fontes: Cepimar e MOB – Movimento Busológico do Ceará.

A fotografia do terminal da Praça do Carmo foi reproduzida de original pertencente ao Arquivo Nirez, gentilmente cedida.